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Quando a Justiça tarda, mas chega: a reparação tardia a Téo Santana

Há algo de profundamente corrosivo na forma como parte da sociedade passou a tratar denúncias: bastam suspeitas lançadas ao vento para que se desmonte a reputação de alguém, mesmo sem prova, sem lastro, sem prudência e quase sempre sem responsabilidade. Em Sergipe, vivemos esse roteiro com o empresário José Teófilo de Santana Neto, o Téo Santana, alvo de um linchamento moral iniciado em 2020 e que só agora, cinco anos depois, encontra seu ponto final: a absolvição pela Justiça Federal.

Em 2020, quando Aracaju enfrentava os primeiros meses da pandemia da Covid-19, Téo foi contratado para montar o Hospital de Campanha no Estádio João Hora. A dispensa de licitação, emergencial e prevista em lei, virou combustível para um espetáculo de suspeitas. Vereadores subiram à tribuna insinuando cartas marcadas; representações foram protocoladas no Ministério Público; reportagens manchetearam “indícios de irregularidade” como se fossem provas. E tudo isso antes de uma única auditoria ser feita, antes de um único laudo técnico ser emitido.

O tempo, no entanto, impôs seu juízo. A 1ª Vara Federal de Sergipe já havia absolvido Téo Santana na esfera criminal, reconhecendo que não havia crime. Agora, a 3ª Vara Federal o absolveu também na esfera cível, confirmando que não houve direcionamento, fraude, conluio, sobrepreço ou qualquer ato de improbidade. A decisão judicial foi clara: os preços estavam compatíveis com o mercado; a escolha pelo critério de menor preço por lote partiu da própria Secretaria de Saúde, e todos os serviços foram integralmente entregues. Em termos objetivos: não houve erro, não houve falcatrua, não houve dano ao erário.

Mas até que a Justiça dissesse isso, a vida de Téo foi devassada. Durante cinco anos, teve sua honra pública posta em xeque, sua carreira colocada sob suspeita e, pior, sua família exposta a constrangimentos diários. Suas filhas cresceram sob o peso de um estigma que agora se revela infundado. E essa mesma acusação foi usada como arma eleitoral contra seu irmão, Luiz Alberto Santana, candidato a prefeito de Aracaju, manchando um projeto político legítimo com uma sombra que agora se mostra injusta.

Este caso deixa uma lição incômoda, mas necessária: a inocência provada não apaga os danos causados pela suspeita lançada sem prova. É preciso que agentes públicos, formadores de opinião e adversários políticos compreendam a gravidade de transformar meras desconfianças em condenações públicas antecipadas. A liberdade de fiscalizar é um pilar da democracia, mas ela vem acompanhada do dever de responsabilidade.

Hoje, a Justiça fez o que precisava fazer: reconheceu a verdade e restabeleceu a lisura de Téo Santana. Mas o custo foi alto demais. Que esse episódio sirva para mudar não apenas a percepção sobre ele, mas sobretudo o modo como tratamos denúncias: com provas, e não com prejulgamentos; com responsabilidade, e não com ruído.

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