Em Umbaúba, a terra resolveu lembrar que, quando chove sem piedade, a infraestrutura sergipana costuma derreter com a mesma facilidade que promessa de campanha. Uma estrada vicinal inteira cedeu, carregando junto parte de uma adutora da Deso e deixando municípios do sul sergipano com abastecimento comprometido.
A Defesa Civil estadual, representada pelo Coronel Queiroz, fez o que manda o manual e, por uma vez, seguir o manual já vale notícia: interdição total da área, avaliação técnica, pedido de bom senso à população e um lembrete de que erosão não tem pena de ninguém. Num país que insiste em testar a gravidade todos os verões, a recomendação continua sendo a mesma: respeitar a sinalização é menos burocrático do que virar estatística.
Queiroz foi direto: erosão ativa, terreno instável, risco real. Nada de drama, nada de eufemismo. Só o alerta seco que deveria bastar para afastar curiosos e garantir que, pelo menos desta vez, ninguém decida desafiar a física em nome de economia de tempo.
Do lado da Deso, o porta-voz Flávio Vieira reforçou que o rompimento da adutora não foi falha estrutural, e sim consequência das chuvas que castigam a região. Equipes já estão mobilizadas, ainda que o acesso dificultado e o solo encharcado transformem cada metro percorrido em uma coreografia improvisada entre máquinas e lama. A promessa, otimista, mas não irresponsável, é de normalização do abastecimento até o fim da semana.
E, no meio do caos, um movimento raro o suficiente para merecer nota:
o governador Fábio Mitidieri apareceu pessoalmente em Umbaúba para acompanhar a situação. Não fez discurso inflamado, não levou comitiva para posar em terreno abatido, não tentou atribuir a erosão a Marte retrógrado. Apenas foi. Viu. Cobrou. E mobilizou o DER, o Corpo de Bombeiros e a Sedurbs. Além disso, liberou o uso de uma segunda adutora para aliviar provisoriamente o impacto.
Nada além do que se espera de um governador em tempos de emergência, mas, convenhamos, num cenário onde muitos preferem governar por stories, a presença física quase parece virtude. Fábio não reinventou a roda, só a fez girar quando precisava. Em política, às vezes, isso já é mais do que suficiente. Agora, resta esperar que o clima coopere, que os reparos avancem e que a estrada volte ao mapa, dessa vez, sem a mania de desaparecer quando chove.




