Aracaju deu sinais claros no último jogo do Flamengo, aquele das 14h, que ponto facultativo não precisa de decreto. Precisa só de bola rolando. Quem passou pelo centro viu a cena clássica. Bares cheios, cerveja suando no copo, camisa rubro-negra por todos os lados, conversa alta, risada solta e celular apoiado no balcão transmitindo o jogo como se fosse altar improvisado.
Na Orla da Atalaia, a história se repetiu. Flamenguistas circulando, comemorando, comentando lance, discutindo juiz e fazendo o que o brasileiro faz de melhor quando o futebol chama. Viver o momento. Não era feriado no papel, mas era na prática.
Aqui na capital, a prefeita Emília não decretou ponto facultativo. No Estado, o governador em exercício, Zezinho Sobral, também manteve o expediente normal. E está tudo certo do ponto de vista administrativo. Mas, na prática, a população flamenguista resolveu por conta própria. O ponto facultativo aconteceu de forma espontânea, democrática e absolutamente rubro-negra.
No Rio de Janeiro, o prefeito decretou ponto facultativo a partir do meio-dia. O governador confirmou. Comércio reclamou, com razão, afinal dezembro é mês sagrado para lojista. Mas convenhamos, quando o Flamengo entra em campo, o relógio muda de função. O expediente vira flexível, a reunião atrasa, o almoço se estica e o brasileiro dá seu jeito. Sempre deu.
Ponto facultativo, no Brasil, costuma ser coisa de órgão público. Mas futebol é outra categoria. Não obedece decreto, não respeita carimbo e não pede licença ao comércio. Ele simplesmente acontece. E quando é o Flamengo, acontece em escala nacional.
O Flamengo não é só um clube. É um hábito social. É o time que faz o sujeito sair mais cedo, ligar a TV de canto de olho, acompanhar pelo celular escondido e justificar tudo com a frase universal: é só um joguinho. Ninguém acredita, mas todo mundo entende.
Aqui em Sergipe isso é ainda mais visível. O Flamengo é a nação dentro da nação. É o time das torcidas, das gerações, dos encontros casuais em bar e das comemorações espontâneas na orla. Quando o Flamengo joga, Aracaju desacelera sem pedir autorização.
Por isso, quando se fala em ponto facultativo por causa de final, a sensação é simples. O decreto só oficializa o que o povo já decidiu. Porque no Brasil, e especialmente em Sergipe, não existe ponto facultativo quando o Flamengo joga. Existe só o futebol cumprindo seu papel mágico de juntar gente, suspender o tempo e lembrar que, no fundo, a vida também precisa desses 90 minutos. E como diria um velho amigo, com a sabedoria de quem já viu muito campeonato passar: uma vez Flamengo, sempre Flamengo.




