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Quarta legislativa: quando a Câmara vira púlpito, palanque e palco de afeto

Se você acha que quarta-feira é um dia morno no calendário político, é porque não acompanhou a sessão da Câmara de Aracaju. Teve de tudo: vereador emocionado, bronca em patrimônio caindo aos pedaços, crítica à coleta de lixo, defesa das escolinhas de futebol, reflexão pascal e até parabéns ao pai, com direito a “painho” e tudo.

Enquanto alguns subiram à tribuna pra lembrar que a cidade precisa de atenção, outros usaram os minutos sagrados do Pequeno e Grande Expedientes pra fazer oração, homenagem familiar ou até multitemas dignos de streaming: da saúde no Bugio até o protesto contra o Santander, passando por uma pincelada no estelionato e um golaço no futebol social.

A seguir, você confere o resumo de quem falou, o que disse, e, claro, o que ficou nas entrelinhas. Porque em Aracaju, a tribuna virou palco e todo vereador tem direito a um ato, mesmo que o enredo não feche no final.

Iran Barbosa (Psol) – SOS Patrimônio, com pitada de revolta – Iran Barbosa abriu os trabalhos já no modo “indignado com razão”. Denunciou o desabamento da cúpula do Instituto Parreiras Horta e cobrou ação de todo mundo: prefeitura, Estado, União e até do síndico do descaso histórico. “O centro está ruindo, e ninguém tá olhando”, avisou. Foi quase um grito de socorro e não foi só pela cidade.

Isac Silveira (União Brasil) – Saúde no Bugio e discurso com termômetro – Isac subiu à tribuna para falar sobre as conferências regionais de saúde, que estão rodando os bairros como campanha fora de época. A do dia foi no Bugio, coordenada pelo Dr. André Sotero, e Isac tratou o Conselho de Saúde como se fosse o SUS dos conselhos. Disse que a Câmara também fiscaliza… mas participa. Ou seja, joga nos dois times. Estratégia de quem já aprendeu que saúde dá voto e discurso.

Levi Oliveira (PP) – A Páscoa é de Cristo, não do coelho – Levi não perdeu o espírito da data e fez questão de lembrar que Páscoa não é só ovo de chocolate. Segundo ele, é tempo de lembrar o sacrifício e a ressurreição de Cristo. Curto, direto e sem patrocínio de confeitaria. Na dúvida, preferiu falar do céu a arriscar o inferno da política.

Lúcio Flávio (PL) – Não tira a Câmara do Centro, pelo amor à história -Lúcio Flávio puxou o freio no debate sobre a mudança de sede da Câmara. Pediu que se “exaurissem todas as tentativas” para manter o prédio atual no Centro. Motivo? Cultura, história e economia. Tradução: se tirar a Câmara de lá, derruba mais que prédio derruba tradição, movimento de rua, a revitalização do centro e o cafezinho do entorno.

Fábio Meireles (PP) – Sessão virou homenagem ao “painho” – Em vez de projeto, Fábio trouxe emoção. Parabenizou o pai pelos 71 anos com direito a declaração de amor ao vivo: “meu melhor amigo, meu grande cabo eleitoral”. Foi bonito, foi sincero… e foi quase um cartão do Dia dos Pais lido na tribuna. A política ficou pra depois.

Elber Batalha – Coleta de lixo, saúde precária e dedo na ferida – Elber chegou com o extintor na mão… ou com o fósforo, difícil dizer. Acusou a Prefeitura de contratar empresas de coleta de lixo sem licença da ADEMA, criticou a retirada das caixas coletoras, citou bairros com coleta irregular e ainda apontou a terceirização da saúde como retrocesso. Disparou pra todo lado. Emília Corrêa que se cuide. Foi um daqueles discursos que tiram o sono do secretário e o conforto do contrato.

Miltinho Dantas (Cidadania) – Zapping legislativo com futebol e protesto – Miltinho entrou com o microfone no modo aleatório: Falou da Páscoa, porque não pode faltar fé; Lamentou a morte de Antônio Aquino Lopes, cartola do futebol; Disse que a criminalidade em Sergipe caiu, mas o estelionato subiu — cuidado com os golpes!; Participou de manifestação contra demissões no Santander; E ainda defendeu apoio às escolinhas de futebol com emendas parlamentares. Foi praticamente um talk show de cinco minutos. Só faltou música de encerramento e sorteio de cesta básica.

 Resumo do dia? Teve apelo à fé, puxão de orelha, puxada de tapete, homenagem à família, crítica à coleta de lixo e futebol como redenção social. A política em Aracaju tá viva — e nem sempre faz sentido, mas rende boas histórias

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