Ratinho Júnior olhou para Brasília, deu aquela respirada funda e disse: deixa para depois. Num país onde até vereador sonha em ser presidente, o governador do Paraná fez o caminho inverso. Desceu do salto presidencial e voltou para o chão firme do próprio Estado. Não foi humildade não, foi estratégia. Enquanto uns brincam de candidatura, ele decidiu não virar meme eleitoral. Preferiu continuar mandando onde já manda, porque perder o Paraná seria tipo trocar um carro blindado por um patinete político.
E vamos combinar, essa história de “reflexão com a família” é bonita, mas a política não é terapia de casal. É cálculo frio. Ratinho percebeu que o PSD estava mais perdido que GPS em estrada de barro, com vários nomes na mesa e nenhuma convicção real. Caiado, Eduardo Leite, todo mundo se oferecendo, mas ninguém fechando a conta. Resultado: ele fez o que jogador experiente faz, pediu para sair antes que a bola queimasse no pé.
Só que tem um detalhe que muda tudo. O nome dele atende por Sergio Moro. E aí, meu amigo, a conversa deixa de ser filosófica e vira briga de gente grande. Moro vem com discurso, com mídia, com palanque nacional e com aquela cara de quem já entra na eleição achando que é final de campeonato. Ratinho olhou e pensou: ou eu fico e jogo sério, ou viro figurante na minha própria casa. E governador pode até perder eleição, mas não pode perder respeito.
Agora o jogo ficou claro. Ratinho não quer ser presidente, quer ser o dono do sucessor. Vai escolher o nome, montar a estratégia e tentar provar que seu governo não depende só dele. E aí mora o perigo. Eleger a si mesmo é fácil, ainda mais com máquina na mão e popularidade lá em cima. Agora eleger outro, com Moro do outro lado, é tipo tentar segurar porta com vento de tempestade.
No fim das contas, Ratinho fez o movimento clássico de quem entende o jogo antes dos outros. Recuou com elegância e avançou com força. Saiu da novela de Brasília para protagonizar o filme do Paraná. E deixou um recado que ecoa em todo político que está sonhando alto demais: antes de querer governar o Brasil, veja se consegue não perder o próprio quintal. Porque na política, quem voa sem base… pousa de cara no chão.




