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Republicanos: três mulheres, três cadeiras e um partido em transição

Republicanos em Sergipe vive um daqueles momentos em que a política deixa de ser festa com fogos e passa a ser reunião de condomínio, com planilha na mão e perguntas incômodas na mesa. O partido conquistou espaço na Assembleia Legislativa nas eleições de 2022 com três mulheres eleitas, um feito relevante em um ambiente ainda pouco generoso com a representação feminina e que, à época, sinalizou leitura correta do eleitorado e uma boa sintonia com o espírito do tempo.

Os números não mentem e, quando falam, falam alto. Áurea Ribeiro construiu uma trajetória sólida, com votação consistente e um mandato marcado por articulação, presença institucional e capacidade de diálogo, exercendo com competência um papel quase diplomático dentro e fora da Assembleia. Carminha Paiva, por sua vez, transformou afeto em voto, política em proximidade e discurso em relação humana, algo raro em tempos de comunicação pasteurizada. Foram votos conquistados com território, escuta e narrativa, não por acaso nem por efeito especial de campanha.

A política, porém, não vive de álbum de fotos, vive de deslocamentos. E o Republicanos agora assiste a uma diáspora feminina que redesenha seu mapa interno. Áurea Ribeiro deixa a Assembleia de forma estratégica, abrindo espaço para um projeto familiar e político que não nasce do improviso. Sua nora, Hilda Ribeiro, ex prefeita de Lagarto, aparece muito bem posicionada nas pesquisas e entra no jogo com musculatura eleitoral própria, o que revela cálculo, continuidade e visão de futuro, ainda que já esteja de malas prontas para o PP. Carminha Paiva também não será candidata, abrindo caminho para o projeto político do companheiro, o Padre Inaldo, numa movimentação que mistura fé, base social e pragmatismo eleitoral, algo que Sergipe conhece bem, mas que igualmente não se dará dentro do Republicanos.

Enquanto isso, Lidiane Lucena, que teve votação expressiva, já está de malas prontas para o União Brasil, movimento típico de quem nunca criou raízes profundas na sigla e prefere seguir onde o vento sopra mais favorável. Faz parte do jogo, embora não deixe de revelar uma fragilidade estrutural do partido, que apostou em nomes fortes, mas demorou a construir permanência, identidade e sucessão.

É nesse cenário que surge Emília Corrêa, prefeita, dirigente partidária e, agora, guardiã de uma pedra preciosa ainda bruta. Emília tem partido, tem estrutura e tem tempo, o que não é pouco em política. Falta lapidar. E lapidar exige calma, método e visão estratégica, não martelo nem pressa. O Republicanos está em suas mãos como um diamante que pode brilhar muito ou perder valor se for cortado às pressas.

O alerta é claro e não precisa de megafone. Se o partido não melhorar seu plantel de candidatos a deputado estadual, se não transformar capital político em projeto coletivo, corre o risco real de perder uma ou até duas das três cadeiras que hoje ocupa. Não será por perseguição, nem por injustiça do sistema, mas por simples aritmética eleitoral, essa ciência exata que não aceita improviso.

Os votos femininos que garantiram a vitória passada não foram um acidente estatístico. Foram resposta a lideranças reais, com rosto, voz e presença. Ignorar essa lição é repetir erro em série. Aprender com ela pode ser a diferença entre encolher ou se reinventar.

O Republicanos tem tudo para atravessar esse momento com elegância, desde que entenda que política não é só ganhar eleição, é saber o que fazer depois da vitória. E, principalmente, com quem caminhar quando os nomes mudam, mas o eleitor continua lá, atento, exigente e cada vez menos paciente.

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