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Resumão da ALESE: Sessão da Sede: discursos molhados de política, torneiras secas em casa

Na Assembleia Legislativa de Sergipe, a água virou ouro e discurso virou cachoeira. Deputados disputaram quem defende mais a população, quem cutuca melhor o governo e quem faz a metáfora mais criativa sobre adutoras que já deveriam estar em museu. Uns viraram bombeiros do governador, outros fiscais da conta de água, e ainda teve quem aproveitasse a seca para falar de festa, moda e até jegue. No fim, cada deputado molhou o microfone com sua versão da verdade — enquanto a população continua esperando a gota cair na torneira. 

Cristiano Cavalcante, o bombeiro oficial do governo –  O líder do Governo na Alese virou quase encanador da Deso. Foi à tribuna para defender a tropa após o rompimento da adutora em Capela. Disse que viu de perto o esforço, madrugada adentro, para consertar o cano que tem mais idade que muito deputado. Cristiano atacou os “aproveitadores de plantão” e ainda cutucou a prefeita de Aracaju: “Cumpriu sua obrigação, mas o Estado colocou 82 carros-pipa”. Ou seja: no jogo de empurra, Cristiano jogou a prefeitura na lama — ou melhor, na lama seca da falta d’água.

Georgeo Passos, o fiscal das tarifas – Georgeo não deixou barato: acusou o governo de cochilar enquanto a população ficava com a torneira seca. Pediu que o reajuste de quase 8% na conta de água fosse suspenso: “Se o povo ficou sem água, que pelo menos fique sem aumento”. E ainda alfinetou o secretário defensor da Iguá: “Nunca vi secretário defender tanto empresa privada”. Aplausos da galeria, silêncio constrangido no plenário.

Paulo Júnior, o opositor com sede – Em tom quase dramático, Paulo Júnior disse que a Iguá conseguiu piorar o que já era ruim. Afirmou que a privatização vendeu promessa de água cristalina, mas entregou rodízio e improviso. Defendeu desconto nas contas e parabenizou a prefeita Emília Corrêa, que mandou carros-pipa antes do governo. Tradução: o governo chegou depois e ainda quis posar de salvador.

Chico do Correio, o carteiro de más notícias – Chico trouxe recado antigo: a rede de água é jurássica. Disse que no sertão tem gente que passa até seis meses sem uma gota. Comparou adutora velha a estrada esburacada: ou troca tudo, ou vai continuar estourando. Ironizou: “É melhor prevenir do que remediar — mas parece que o governo prefere rezar pelo milagre do cano não romper”.

Garibalde Mendonça, o conciliador de plantão – Com fala mais ponderada, o vice-presidente da Casa dividiu responsabilidades: Deso leva água bruta, Iguá distribui. E elogiou os engenheiros que fizeram o impossível: consertar cano pendurado em pilares, com chuva, em tempo recorde. Fez o papel do moderado, mas também pediu explicações sobre a vigilância que sumiu após a transição.

Luizão Donatrampi, o profeta das tubulações – Luizão avisou: enquanto a Iguá não trocar os canos antigos de amianto, vai ter rompimento todo mês. Lembrou que a pressão aumentou porque reduziram os “gatos”, e a rede velha não aguenta. Traduzindo: quem não roubava água vai continuar pagando pelo furo de décadas. Mas terminou otimista, dizendo que já viu obras da empresa em várias cidades.

 Kaká Santos, o embaixador do Moda Mix – Enquanto uns falavam de água, Kaká preferiu mergulhar no glamour. Exaltou o Moda Mix em Itabaianinha, que movimentou R$ 3 milhões e trouxe 20 mil pessoas para a cidade. E ainda comemorou o retorno do desfile cívico, cheio de cores, filarmônicas e orgulho local. Um oásis festivo no meio da seca.

Neto Batalha, o garoto-propaganda da Festa do Jegue – Por fim, Neto transformou a tribuna em palanque de festa. Convidou todo mundo para a tradicional Festa do Jegue de Itabi. Fez questão de recitar a programação de shows até o último artista. Se a água não chegou nas torneiras, vai pelo menos chegar em forma de cerveja gelada no Jegódromo.

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