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Fafen volta à ativa em Sergipe: fertilizante, emprego e geopolítica do gás

Enquanto o Brasil ainda digeria a ressaca do réveillon, uma velha conhecida da indústria nacional voltava discretamente à ativa: a Fafen Sergipe. A retomada da fábrica de fertilizantes em Laranjeiras, no último dia 31 de dezembro, não é só mais uma nota no rodapé da economia — é uma jogada política, econômica e energética com potencial explosivo.

Depois de anos de vai-e-volta, com direito a hibernação, arrendamento fracassado e leilão de promessas, a unidade renasce num novo modelo: Petrobras no controle comercial e a Engeman, empresa de manutenção industrial, na linha de frente operacional. O contrato? Quase R$ 1 bilhão. O tempo? Cinco anos. A ambição? Redefinir o papel do Brasil na produção de fertilizantes — e evitar nova dependência externa.

Um zumbi da indústria ganha fôlego novo

Sim, estamos falando da terceira vez que essa fábrica é “reativada” em menos de uma década. Em 2018, a Petrobras abandonou o barco. Em 2019, entregou a chave para a Unigel, que prometeu céu de ureia e inferno de lucros. Em 2024, a Unigel pulou fora, alegando — veja só — inviabilidade econômica. Tradução: o preço do gás disparou, os fertilizantes despencaram e ninguém queria pagar a conta.

Agora, com a Engeman prestando serviço (em vez de arrendar tudo), o risco está dividido. É um modelo mais “pé no chão”, segundo os envolvidos. A Petrobras fica com a parte comercial, enquanto a Engeman opera e mantém a planta. Parece sensato. Mas será suficiente?

Capacidade alta, paciência curta

A Fafen Sergipe tem potência para produzir 1,8 mil toneladas de ureia por dia, além de amônia, sulfato de amônio e gás carbônico. É coisa grande. Junto com a Fafen Bahia, que também ressuscitou sob gestão da Engeman, forma um polo que pode abastecer boa parte do agronegócio brasileiro — aquele mesmo que vive dizendo que carrega o país nas costas.

Mas potência sem competitividade não enche silos. O grande gargalo continua sendo o preço do gás natural, e isso não depende só da Petrobras, mas também do mercado global. Se o custo explodir, como já vimos antes, o castelo pode ruir de novo.

Empregos, incentivos e a política do gás

O governo de Sergipe não mediu esforços para ressuscitar a Fafen. Cortou ICMS, ofereceu incentivos via o PSDI, garantiu água via Deso, e correu atrás de licenças e gás como se estivesse jogando uma final de campeonato estadual.

O resultado? Cerca de 1.400 empregos diretos e indiretos prometidos só em Sergipe. E não é papo furado: mutirões de contratação já colocaram centenas de pessoas para dentro, com prioridade para moradores de Laranjeiras, Riachuelo e Maruim. A Engeman ainda promete mais: formação de novas equipes, integração de talentos locais e uso de tecnologia preditiva para evitar surpresas na manutenção.

O fator Lula: fertilizante é soberania

O presidente Lula anunciou com pompa a retomada das Fafens em outubro de 2025. Disse que o Brasil “será dono do próprio nariz” na produção de fertilizantes. Foi em Camaçari, mas o recado valeu para Sergipe: retomar a Fafen é também uma questão de soberania. Afinal, 85% dos fertilizantes usados no país ainda vêm de fora.

Não é à toa que o projeto entrou na lista de prioridades do governo federal e estadual. A reativação alinha discurso político com geração de empregos, redução de importações e fortalecimento da indústria de base. É o tipo de pauta que dá voto — e manchete.

Mas e se o gás subir de novo?

A pergunta que ninguém quer responder — mas precisa ser feita — é simples: e se o preço do gás voltar a disparar? A resposta está embutida no novo modelo. A Engeman, como prestadora de serviço, não carrega sozinha o risco. A Petrobras, sim. Ela compra o gás, produz o fertilizante e tenta vender num mercado volátil.

Se os preços caírem demais ou os custos subirem de novo, o pesadelo se repete. Mas, por enquanto, o discurso é de otimismo moderado. A lógica é que um modelo mais técnico, mais enxuto e com menos politicagem possa dar certo.

Quer apostar quanto tempo dura?


Você acha que a reativação da Fafen vai realmente fortalecer a produção nacional ou estamos só adiando o próximo colapso? Comente abaixo, compartilhe a matéria e vamos seguir o debate. O Portal Fausto Leite está de olho — e com memória afiada.


Fontes Principais:

G1, Hora News, Sedetec/SE, PetroNotícias, F5 News, ClickSergipe, Agência SE, Infonet, InfoMoney, Deso, Click Petróleo e Gás, Itnet, GlobalFert.

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