PUBLICIDADE

Ricardo Marques: entre o silêncio da Secom e o barulho das urnas

O vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques (Cidadania), tem se movimentado com mais intensidade nos últimos meses. Discreto na condução da Secretaria de Comunicação Social, mas atento ao tabuleiro político, ele busca dar uma conotação diferente à própria imagem: aparece em agendas no interior, participa de reuniões com lideranças estaduais e se coloca como nome viável para disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026.

A estratégia, no entanto, não é isenta de contradições. O mesmo Ricardo que, como vereador, se projetou como voz firme de oposição, gravando vídeos, cobrando calçamento de ruas, criticando ônibus atrasados e denunciando a má gestão do lixo, hoje adota uma postura mais contida, quase protocolar, diante da máquina municipal. A “voz de cobrança” deu lugar à imagem de um gestor técnico, muitas vezes deixando para os assessores o papel de falar por ele.

O desgaste com a prefeita Emília Corrêa (PL), antes parceira de campanha, também já é visível. A redução das atribuições do vice na Câmara e a criação de um porta-voz da Prefeitura foram recados claros de que o espaço de Ricardo na gestão não é o mesmo que ele imaginava. A declaração pública de que “a relação pessoal é boa, mas a administrativa poderia ser melhor” foi a senha para expor uma fissura que, nos bastidores, já se sabia existir.

Ainda assim, Ricardo não está parado. Em Brasília, buscou parcerias com o senador Alessandro Vieira, tratando de projetos relevantes como a segurança digital para crianças e a construção de uma nova escola no 18 do Forte. Movimentos que mostram que, se o espaço na Prefeitura encolheu, ele tenta crescer no cenário estadual e federal.

Mas o ponto mais sensível está na dobradinha que se desenha com a prefeita Emília Corrêa: Ricardo candidato a deputado federal e o atual esposo da prefeita a deputado estadual. O arranjo, se consolidado, colocaria Ricardo em posição privilegiada, com a benção de Emília e o peso da máquina municipal. E não se pode esquecer que ele já provou ser um bom comunicador e articulador, especialmente quando está na oposição.

O risco? Ricardo pode repetir a trajetória de muitos vice-prefeitos: ser lembrado como figura apagada no cargo, mas esperto o suficiente para usar o tempo de bastidores como preparação para voos maiores. Críticas à parte, ele tem chance real de chegar à Câmara Federal, sobretudo se Emília decidir abertamente investir na sua candidatura.

No fim, Ricardo Marques sabe que, no jogo político, não basta apenas comunicar bem: é preciso ocupar espaço. Se for capaz de transformar o silêncio estratégico da Secom em capital eleitoral, pode sair das sombras de vice e entrar em 2026 com barulho suficiente para se tornar deputado federal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *