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Ricardo Vasconcelos e o apito da legalidade

A sessão do Grande Expediente da Câmara Municipal de Aracaju começou morna, mas quem esperava calmaria legislativa errou de plenário. O presidente da Casa, vereador Ricardo Vasconcelos (PSD), transformou a tribuna em ringue institucional e não poupou palavras ao denunciar o que classificou como “remanejamento orçamentário clandestino” promovido pela gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira.

Segundo Ricardo, as emendas parlamentares de 2024, destinadas à construção do tão aguardado Centro de Imagem, foram redirecionadas, sem autorização da Câmara, para contratos administrativos. Ou seja: recursos carimbados para saúde viraram tinta apagada no orçamento. O gesto, além de ilegal, carrega o símbolo da velha prática política: decidir de cima para baixo, sem prestar contas a ninguém.

Mas Ricardo não ficou no discurso protocolar. Com o Regimento Interno numa mão e a indignação na outra, avisou que a fiscalização legislativa será implacável. “Não vamos ser plateia de desvio. Vamos ser juiz com apito na mão!”, disparou, numa metáfora que ressoa nos corredores da democracia: a Câmara não é arquibancada, é poder constituído.

O editorialismo político não tem a pretensão de julgar antes da apuração, mas é impossível ignorar o alerta feito pelo presidente: se os vereadores não têm segurança sequer sobre a execução de suas emendas, qual é o papel real do Legislativo? Se o Executivo ignora os trâmites legais para redirecionar verbas públicas, o que nos resta é a sombra do autoritarismo burocrático.

Ricardo Vasconcelos fez o que se espera de um presidente de Câmara: subiu o tom quando tentaram baixar a transparência. E que fique o exemplo. Em tempos em que a democracia se mede não só pelo voto, mas pela execução dos compromissos, não há espaço para orçamentos fantasmas. Quem remaneja sem consultar, governa sem ouvir. E quem governa sem ouvir, termina ouvindo no grito da lei.

Sargento Byron (MDB) – O Combatente das Emendas Perdidas –  Com farda retórica e senso de missão, Byron pegou carona na denúncia do presidente e pediu reforço institucional. “Todo dia a população cobra saúde, educação, saneamento… e nossas emendas emperram?” Indignado, sugeriu que a Procuradoria Geral do Município entre em campo, pediu cronograma, clareza e transparência. Para ele, emenda parada é igual a viatura sem combustível: não leva ajuda a lugar nenhum.

Vinícius Porto (PDT) – O Volante Técnico do Plenário – Em vez de condenar o remanejamento ilegal das emendas parlamentares, preferiu dizer que não houve desvio, só redirecionamento. Com tom brando e discurso de meio-campo, culpou a falta de diálogo dos vereadores e isentou a antiga gestão. Resultado: faltou firmeza, sobrou conformismo. Quando a Câmara precisava de um chute direto à legalidade, Vinícius tocou de lado e saiu sem marcar posição, como sempre fez.

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