Foi o duelo mais assistido da semana: Ricardo Vasconcelos entrou no ringue político como quem sabe bater e contar os pontos; Edvaldo Nogueira, ex-prefeito, preferiu cobrir o queixo e esperar o gongo. Num canto, o presidente da Câmara ergueu a Constituição como jab de mão esquerda; no outro, o ex-gestor apelou para o velho spray de “cortina de fumaça”, tentando transformar CPI em efeito especial de palco. O problema é que, quando você chama o extintor de incêndio de cortina, a plateia tende a perguntar o que, afinal, está pegando fogo. E aí Ricardo foi direto na “jugular” institucional: “aqui não tem cabresto, não devo nada a ninguém e não coloco sujeira debaixo do tapete… dizer que uma CPI não vai dar em nada é, no mínimo, desrespeitar o trabalho desta Casa; se não há nada a esconder, a CPI será o maior atestado de honestidade”. O som desse cruzado ecoou no plenário e nos portais locais, cravando o tema no centro da semana.
Edvaldo, por sua vez, tentou nocautear a narrativa chamando as comissões de “eleitorais”, mas ficou na retranca: quem acusa o árbitro com o microfone aberto costuma perder no replay. A resposta organizada não veio dele veio do PDT municipal, que saiu em sua defesa com uma nota sobre biografia, urbanidade e respeito ao Parlamento. É espuma que perfuma, não antisséptico que fecha ferida: acalma a claque, mas não muda o placar do round.
Do lado de cá das cordas, o roteiro jurídico é menos glamouroso e mais contundente: CPI é bisturi de fiscalização, não fumaça de comício. A Câmara reforçou isso ao rebater publicamente as críticas e lembrar que as comissões, como a da SMTT, têm escopo, rito e transparência. É a luz branca da sala cirúrgica, não o neon da danceteria. E nesse cenário a frase que define a semana não é um bordão, é um compromisso: “quem não deve, não teme.
Por que a defensiva de Edvaldo? Pode ser medo, não de fantasmas, mas de um Legislativo que aprendeu a dizer “não”. Pode ser insegurança política quem grita “cortina” quando a pauta é fato entrega que o adversário ditou o enredo. Pode ser insegurança jurídica, CPI não condena, mas produz lastro de fatos, e fato, em política, é aquele cinegrafista que não sabe desfocar. Enquanto isso, Ricardo trabalha a imagem do árbitro que também sabe lutar: vende independência do Parlamento, cobra respeito ao rito, promete que a Casa não se calará. Quando a cidade está cansada de “amém”, a pergunta “como é que é?” lota arquibancada.
A briga foi o assunto da semana porque juntou ação, frases com cheiro de tinta fresca e um contraste de estilos: Ricardo fulgaz, assertivo, com combinações curtas que entram; Edvaldo na guarda alta, testando o clinch. Um levou o round comunicacional por pontos; o outro saiu para o corner com gelo no supercílio e uma nota partidária como toalha. O público, contribuinte com nota fiscal no bolso, não quer ringue de vaidades: quer CPI com prazo, objeto, transparência e relatório que seja radiografia, não panfleto. Até lá, valem as regras simples do boxe democrático: quem fala com fatos acerta; quem briga com a luz tropeça.





Respostas de 3
O que vemos na política sergipana é um ex prefeito tentando jogar para debaixo do tapete todas as coisas erradas que fez na sua gestão, mas com a atuação do presidente da câmara Ricardo Vasconcellos acreditamos que toda sujeira vai ser descoberta e punições serão aplicadas.
O texto descreveu muito bem a semana política de Aracaju e reforça o quanto é corajoso esse jovem vereador de Aracaju, desde de quando assumiu a presidência da Câmara de vereadores de Aracaju mostrou ao que veio, tornou a Câmara independente e mais eficiente!
Parabéns Presidente pela sua excelente atuação