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Rodrigo Valadares e a aposta certeira no PL

O cenário político de Sergipe viveu, nos últimos meses, uma daquelas viradas que parecem pequenas no calendário, mas que mudam profundamente o tabuleiro eleitoral. O Partido Liberal (PL), uma das siglas mais fortes do Brasil por carregar o nome de Jair Bolsonaro e ter em Valdemar Costa Neto seu articulador-mor, vinha sendo conduzido há décadas pelo experiente Edivan Amorim. Era quase um consenso: “ninguém tira o PL de Edivan”, diziam analistas e aliados.

Mas a política é dinâmica. O que ontem parecia sólido, hoje é lembrança. Desde o fim de 2023, Valdemar Costa Neto cobrava mais empenho, mais mobilização, mais defesa explícita do presidente Bolsonaro em Sergipe. Não recebeu a resposta imediata que esperava. Criou-se um vácuo, uma espécie de interregno: o partido tinha dono histórico, mas não tinha mais o mesmo pulso.

Foi nesse vazio que dois nomes surgiram como peças-chave. Primeiro, Valmir de Francisquinho, um dos políticos mais respeitados do Estado, foi chamado para assumir o comando. Tinha legitimidade, tinha respaldo, tinha até o convite direto de Valdemar. Mas tomou uma decisão rara no meio político: disse não. Não por falta de ambição ou incapacidade, mas por gratidão. Valmir deixou claro que não assumiria o partido “tomando” das mãos de Edivan Amorim. Sua postura foi interpretada como um gesto de lealdade e grandeza e, em tempos de disputas vorazes, um ato de correção que engrandece sua biografia.

Enquanto Valmir se destacava pela fidelidade, outro nome crescia pela ousadia: Rodrigo Valadares. Jovem, com apenas 36 anos, deputado de perfil combativo e identificado nacionalmente como o maior representante do bolsonarismo em Sergipe, Rodrigo se apresentou como resposta natural às cobranças de Valdemar. Diferente de outros, não se acanhou diante do vazio: foi a Brasília, conversou, mostrou articulação e conquistou a confiança da direção nacional.

A imprensa local apressou-se em dizer que Rodrigo “tomou” o PL de Edivan. Mas os fatos mostram outra história: o partido já não estava sendo efetivamente comandado. Fora oferecido a Valmir, fora sondado com outras lideranças, e seguia à deriva. Rodrigo, com habilidade, ocupou o espaço que estava aberto. E fez isso com a força de quem representa, na prática, o que o PL defende hoje em todo o Brasil: fidelidade a Bolsonaro e capacidade de mobilizar bases.

Num gesto político calculado, Rodrigo entregou a presidência provisória à vereadora Mona Valadares, sua esposa, até que a janela partidária permita que ele assuma oficialmente. Ao mesmo tempo, não fechou portas: procurou antigos dirigentes, acenou à prefeita Emília Corrêa, mostrou disposição para dividir diretórios e construir pontes. Ao contrário da caricatura de um político centralizador, Rodrigo sinaliza que sabe jogar com a lógica da cooperação, sem abrir mão da liderança.

O contraste é interessante. Valmir de Francisquinho aparece como o guardião da gratidão e da ética política: não quis avançar sobre terreno que considerava ainda pertencente a um aliado. Rodrigo Valadares desponta como o articulador ágil, que entende o tempo da política e sabe quando entrar em campo. Juntos, mesmo em trajetórias distintas, representam dois estilos que se completam: o respeito às tradições e a energia da renovação.

O futuro dirá se Rodrigo conseguirá transformar o PL sergipano em a principal força eleitoral de 2026. Mas os sinais são claros: ele entra no comando com respaldo da nacional, com discurso alinhado à base bolsonarista e com a vitalidade de quem ainda tem muito caminho pela frente. Não é exagero dizer que essa movimentação pode reposicionar todo o xadrez político do Estado, mexendo com prefeitos, deputados e até com a sucessão estadual.

E se alguns analistas insistem que Rodrigo teria dado um “tiro no pé”, é preciso relativizar. O que se viu não foi precipitação, mas um movimento estratégico de quem não deixa a oportunidade escapar. O tiro, se houve, não foi no pé: foi certeiro nos adversários, que agora precisarão se reorganizar diante de um PL com nova energia, nova liderança e, possivelmente, nova cara.

O resumo é simples: Valmir de Francisquinho sai desse episódio maior do que entrou, reafirmando sua imagem de político correto e leal. Rodrigo Valadares, por sua vez, assume como protagonista de uma nova fase do PL em Sergipe, com inteligência, articulação e coragem para enfrentar os desafios de 2026.

Dois estilos distintos, duas virtudes complementares e um mesmo palco: a política sergipana, que volta a mostrar porque nunca é estática, mas sempre surpreendente.

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