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Governo Lula, o rombo veste vermelho

Governo Lula e o rombo fiscal - déficit primário e Selic alta

A conta chegou, e chegou sem pedir licença. O governo Lula transformou a política fiscal numa espécie de carnaval fora de época, só que sem abadá, sem trio elétrico e com o boleto chegando direto na mesa do trabalhador. Enquanto o Planalto vende bondade com dinheiro público, o mercado olha para Brasília e responde com juros mais altos, desconfiança maior e apetite menor para financiar a farra. A Selic está em 14,5% ao ano, patamar que sufoca famílias, empresas e o próprio governo. O Banco Central até pode ensaiar algum corte, mas quando a política fiscal joga gasolina na fogueira, a política monetária vira bombeiro com copo descartável.

O problema não é apenas externo, embora o mundo também ajude a bagunçar o terreiro. Tensões geopolíticas, combustíveis, commodities e inflação global pesam, sim, mas o nó brasileiro tem assinatura doméstica. O governo gasta muito, promete mais, empurra ajuste com a barriga e depois se espanta quando os juros futuros disparam. Em 2025, o Governo Central fechou com déficit primário de R$ 61,7 bilhões, equivalente a 0,48% do PIB, pressionado por despesas obrigatórias como Previdência e BPC. Ou seja, a conversa oficial pode até vir embalada em papel celofane, mas dentro da caixa tem rombo, despesa crescente e uma tesoura que nunca chega perto do próprio governo.

A consequência é simples, cruel e conhecida pelo brasileiro que compra arroz, paga cartão, financia carro ou tenta manter uma empresa aberta. Quando o governo gasta sem controle, alguém paga a conta. E esse alguém quase nunca está no gabinete refrigerado. Está no supermercado, no carnê, no aluguel, no cheque especial e na prestação da casa. O Relatório Focus do Banco Central apontava IPCA de 5,25% para 2025, acima do teto da meta, Selic projetada em 14,75% ao fim de 2025 e resultado nominal negativo de 8,87% do PIB. É o retrato do país que tenta vender estabilidade no discurso enquanto a matemática grita no rodapé.

O governo federal ainda insiste na velha mágica petista de chamar gasto de investimento, crédito subsidiado de desenvolvimento e expansão fiscal de justiça social. Bonito no palanque, caro na fatura. BNDES, bancos públicos, fundos estatais e programas de estímulo podem até produzir manchete simpática no curto prazo, mas, quando usados sem disciplina, empurram inflação, juros, dívida e inadimplência para a frente. É o famoso almoço grátis servido em Brasília e cobrado com juros compostos em Aracaju, Lagarto, Itabaiana, Estância e no bolso de cada sergipano que descobre, tarde demais, que bondade estatal sem responsabilidade fiscal vira maldade econômica.

A crítica central é esta: o governo Lula quer colher aplauso agora e deixar a conta para depois. Só que a economia não aceita desaforo por muito tempo. Se o governo não cortar gasto, reorganizar prioridades e assumir que o Estado brasileiro não cabe mais dentro do próprio orçamento, o país seguirá preso nesse ciclo perverso de juros altos, crescimento limitado e inflação resistente. A alternativa será a pior de todas: fechar as contas com inflação, que é o imposto mais covarde, porque não precisa de votação no Congresso, não aparece no contracheque e atinge primeiro quem tem menos defesa. No fim, a gastança posa de social, mas quem paga o show é o pobre na fila do mercado.

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