O vereador Adriano da Piabeta é aquele personagem que não precisa fazer live todo dia porque já mora no roteiro permanente da política de Socorro. Ele não aparece tanto no feed, mas aparece no áudio, no comentário, no bastidor, no “tu soube?”. Enquanto o cidadão comum muda de marca de arroz porque o preço subiu, Adriano muda de aliança com a naturalidade de quem troca de camisa antes da foto oficial. Não é ideologia, é meteorologia. Ele sente para onde o vento sopra e já está do outro lado da Piabeta e ou do São Braz antes da poeira baixar.
Foi batizado politicamente pelo padre Inaldo, que tem o talento raro de transformar sermão em estratégia e bênção em capital eleitoral. O padre pegou, apresentou, alinhou, costurou, praticamente fez o enxoval político completo. Dizem que havia proximidade além do altar e do palanque, mas isso pertence àquele território mágico chamado bastidor, onde todo mundo comenta e ninguém protocola. O fato é que Adriano nasceu politicamente sob essa sombra sagrada e cresceu embalado por esse empurrão institucional.
Só que na política carinho é contrato com cláusula invisível. Até ontem era gratidão eterna, hoje é memória seletiva. Adriano já tinha dado um leve zig no padre Inaldo quando resolveu se alinhar com Carlinhos de Brejo Grande, o famoso Saruê, personagem que tem mais presença em roda de conversa do que muito influencer com filtro. O acordo estava posto, as lideranças ajustadas, aquela foto clássica de mãos dadas prometendo futuro. E ninguém é inocente a ponto de achar que apoio político se move a afeto e abraço fraterno.
E então, quando a cidade ainda bocejava, veio o giro de roteiro. Adriano rompe com Saruê e anuncia apoio a Júnior de Fábio Henrique, conhecido carinhosamente pelo município como a Girafa sem graça. Porque toda cidade tem um apelido que cola, e esse colou com superbonder. De repente o Saruê, que estava confortável no colo político, descobre que o colo virou ponte e a ponte virou saída estratégica. Deixou o Saruê pelo caminho com a leveza de quem troca de bloco no meio do carnaval, mesmo sabendo que os aliados de Samuel Carvalho, não o vê com bons olhos.
O mais curioso é que ninguém parece exatamente surpreso. Socorro acompanha essas movimentações como quem assiste série com temporada longa demais, já esperando o plot twist no terceiro episódio. Adriano sai de um grupo, entra em outro, fortalece o projeto da Girafa sem graça no time de Samuel Carvalho e segue o baile. A coreografia é ensaiada, o sorriso é institucional e a justificativa vem sempre embrulhada em “projeto maior” com mordomias de poder.
No fim, o eleitor olha para esse balé e tenta entender se está vendo estratégia, sobrevivência ou apenas acrobacia política em tempo real. Porque em Socorro aliança não é casamento, é aplicativo de corrida. Chamou, embarcou, pagou, desceu. E enquanto os líderes trocam de palanque com a fluidez de quem troca de filtro no Instagram, a população segue tentando descobrir quem está com quem, porquê, e principalmente, até quando. Help… help… help…




