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Samuel Carvalho: o profeta do discurso que tropeça na própria gestão

Dizem que nome é destino, e em Nossa Senhora do Socorro a coisa virou quase um documentário ao vivo. A cidade pede socorro, grita socorro, implora socorro, e o governo parece assistir tudo de camarote, como se fosse série de streaming. Samuel Carvalho assumiu com promessa de gestão, mas entregou um roteiro digno de stand-up político, daqueles que fazem rir de nervoso, porque o cidadão olha para a rua e percebe que a piada é com ele mesmo.

Começa pelo básico, que deveria ser o mínimo, mas virou luxo. Buraco virou patrimônio histórico, lixo virou decoração urbana e iluminação pública parece participar de um jogo de esconde-esconde. A sensação é que a prefeitura terceirizou o planejamento para o acaso. E o acaso, convenhamos, não é um bom secretário de obras. A população não quer milagre, quer gestão. Mas até agora, o que se vê é um governo que tropeça até no simples.

E quando o assunto entra na área contratual, aí o roteiro fica mais sofisticado. O caso do contrato do cemitério virou símbolo de como não fazer gestão pública. Uma decisão que determinou a anulação do contrato escancarou aquilo que já estava no boca a boca, falta de critério, falta de cuidado e excesso de improviso. Nem o descanso eterno escapou da confusão administrativa. É o tipo de situação que faz o cidadão pensar se está mais seguro vivo ou morto dentro da gestão.

Na educação, a temperatura também subiu, e não foi pouco. Professores insatisfeitos, relatos de tratamento ruim, decisões mal conduzidas e um clima que passa longe de qualquer política educacional séria. Educação deveria ser prioridade, mas virou problema. E quando professor começa a reclamar em coro, é porque o erro já deixou de ser pontual e virou método. A sala de aula sente, e a cidade paga a conta no futuro.

Nas redes sociais, o termômetro é ainda mais cruel. Não tem filtro, não tem maquiagem, não tem discurso ensaiado que segure. Reclamação virou rotina, vídeo denunciando problema virou conteúdo diário e o sentimento geral é de abandono. Quando a população começa a usar ironia para falar da própria cidade, é porque a paciência já foi embora faz tempo. E o governo, em vez de reagir, parece ainda tentando entender qual é o problema.

E não é só o povo que fala, não. Na própria Câmara, vozes como as dos vereadores Panzuá e Charlys de Geo que foram apelidados de Patati e Patatá, vêm batendo forte, cobrando, expondo e colocando luz onde a gestão tenta deixar sombra. E aí a coisa fica ainda mais complicada, porque quando a crítica vem de dentro, não dá para chamar de oposição desinformada. É gente que está ali, vendo de perto, acompanhando o dia a dia e dizendo, do jeito mais direto possível, que a conta não fecha.

Enquanto isso, o prefeito tenta se equilibrar entre discurso e realidade. Fala-se em projetos, fala-se em avanços, fala-se em intenções. Mas a cidade não vive de intenção, vive de resultado. E resultado, até agora, está em falta. O governo virou um especialista em promessa futura, enquanto o presente continua capengando. É como vender cobertura de luxo com vista para um canteiro de obra que nunca termina.

No fim das contas, o que se vê em Socorro é um governo que conseguiu a proeza de transformar expectativa em frustração em tempo recorde. Samuel Carvalho não é só criticado, ele virou personagem de um enredo onde o cidadão é o principal prejudicado. E a pergunta que fica no ar, com aquele humor ácido que já virou mecanismo de defesa do povo, é simples e direta, Socorro ainda tem salvação ou vai continuar precisando gritar por socorro todos os dias?

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