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Sandro de Frei Paulo, “fi do cabrunco do cranso mariano” de coragem, dispara contra Anderson das Canas e sacode o agreste

Quando Sandro de Frei Paulo abriu a boca na televisão para falar de Anderson das Canas, eu confesso que ajeitei o volume e pensei “fidu cranço, lá vem coisa”. Porque no sertão ninguém chama alguém de (cínico), (dissimulado) e (mentiroso) em rede de TV por falta de assunto. Isso não é comentário de calçada, é rojão estourado em praça pública. E quando o rojão sobe, meu amigo, ou ilumina o céu ou queima o próprio dedo. O que não dá é fingir que foi só foguetinho de São João.

Anderson das Canas, que já foi vereador quatro ou cinco vezes em Itabaiana, prefeito duas vezes em Frei Paulo, que elegeu sucessor e agora é pré-candidato a deputado federal, construiu uma trajetória de respeito e, também de controvérsia. O currículo é grande, fida gota, ninguém nega. Mas currículo grande não é atestado automático de santidade. No sertão a gente aprende cedo que tamanho não é documento, é só medida. E quando alguém solta em rede estadual que o cabra é isso e aquilo, o eleitor coça o queixo e diz “tem caroço nesse angu”.

E tem o chapéu. Ah, o chapéu. O chapéu de couro virou quase logomarca. Marca registrada. Branding raiz. Só que no sertão o povo respeita chapéu quando ele carrega história, não quando tenta imitar lenda. João Alves usava chapéu porque era extensão da identidade. Quando vira figurino calculado, o itabaianense solta um “fido cabrunco, isso é marketing puro”. Chapéu não elege deputado federal sozinho, não. Precisa de conteúdo dentro da cabeça, não só em cima dela.

Agora, Sandro dizer tudo aquilo publicamente é coisa de quem não estava economizando pólvora. Ou é convicção profunda ou é guerra declarada. No agreste, palavra dada pesa. Palavra falada em televisão e rede social pesa mais ainda. Porque o sertanejo pode até perdoar muita coisa, mas não gosta de se sentir feito de besta. Quando alguém chama o outro de (cínico) e (dissimulado) no microfone, a plateia não acha normal, acha estranho. E quando acha estranho, começa a investigar com o radar popular que nunca falha.

No fim das contas, a pergunta que ecoa entre um “fidi gota” e outro é simples: se tudo isso é exagero, por que foi dito com tanta convicção? E se não é exagero, será que vale a pena mandar para Brasília alguém que já carrega esse tipo de rótulo na mala? O sertanejo é desconfiado por natureza, mas também é justo. Só não gosta de teatro demais. Porque no agreste, meu amigo, o sol é quente, a memória é longa e a paciência é curta.

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