Se eu pudesse te encontrar hoje, não sei se começaria com um sorriso ou com lágrimas nos olhos. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo. Porque tem encontros que a gente sonha tantas vezes, que quando chegam, o coração não sabe se agradece pela oportunidade ou se chora pelo tempo perdido. O fato é que, se eu tivesse essa chance, eu diria tudo o que ficou preso na garganta nos dias de silêncio.
Se eu pudesse te encontrar, eu te mostraria como a vida mudou. Te contaria das quedas e das vitórias, das noites mal dormidas e das manhãs em que o sol parecia sorrir só para mim. E, no meio dessa conversa, eu te deixaria ver que, apesar de tudo, continuo sendo aquele que você conheceu, mas agora com algumas cicatrizes que me ensinaram a ser mais forte.
Se eu pudesse te encontrar, não perderia tempo com assuntos vazios. Eu falaria do que realmente importa: sobre o amor que não se apaga, sobre os sonhos que sobreviveram ao tempo e sobre a fé que me manteve de pé. Porque aprendi que o essencial nunca se mede em números ou aplausos, mas naquilo que guardamos no coração.
Se eu pudesse te encontrar, te pediria desculpas. Não apenas pelas falhas que cometi, mas também pelas palavras que não disse, pelos abraços que não dei e pelas vezes em que não soube demonstrar o quanto você era importante para mim. O silêncio, muitas vezes, pesa mais do que qualquer erro.
Se eu pudesse te encontrar, te agradeceria. Porque, mesmo ausente, você fez parte da minha história. Algumas presenças não precisam de proximidade física para deixar marca. Você foi um desses capítulos que, mesmo encerrados, continuam a influenciar as páginas seguintes.
Se eu pudesse te encontrar, eu não esperaria o “momento certo” para dizer que sinto sua falta. Porque aprendi que a vida não avisa quando vai mudar o roteiro. E, às vezes, o que a gente deixa para amanhã, o destino leva para sempre. Então eu falaria agora, sem medo, sem orgulho, apenas com verdade.
Se eu pudesse te encontrar, talvez não quisesse me despedir. Porque há pessoas que carregam um pedaço do nosso coração e, quando voltam, trazem também um pedaço da nossa alma de volta. E como seria bom, mesmo que por instantes, sentir-me inteiro outra vez.
E, se eu pudesse te encontrar, eu diria: “Você fez a diferença. E mesmo que a vida tenha seguido seu curso, parte de mim sempre estará ligada a você.” Porque o amor, o carinho e a amizade verdadeiros não morrem; apenas se transformam em saudade que, um dia, talvez, possa se transformar em reencontro.
Thiago Santos




