A movimentação nacional começou a bater forte em Sergipe e já não dá mais para fingir que é só articulação de Brasília. O senador Flávio Bolsonaro avançou nas negociações com o centrão, especialmente com União Brasil e PP, e o cenário ganhou contornos reais de poder mostrando que o apoio dessas siglas depende apenas da manutenção de um discurso moderado, exigência feita diretamente por Ciro Nogueira e Antônio Rueda. Ou seja, não é hipótese, é construção política em andamento.
E quando Brasília se move assim, Sergipe treme. Porque, na prática, isso significa uma coisa muito clara: o palanque do governador Fábio Mitidieri pode rachar no meio. De um lado, a ligação institucional com Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro, a força crescente de um bloco político que pode embarcar com Flávio Bolsonaro. É o tipo de divisão que não fica só no discurso. Ela explode na eleição.
E Sergipe já está dando sinais disso. Aqui, o jogo não é teórico. André Moura comanda o União Brasil no Estado e é peça central dessa engrenagem. Do outro lado, Laércio Oliveira já deixou claro seu posicionamento político, sinalizando alinhamento com Flávio Bolsonaro e também com Rodrigo Valadares. Isso não é detalhe. Isso é estrutura de campanha sendo montada.
E enquanto o governo finge normalidade, os bastidores já estão em ebulição. O que se viu em eventos recentes, como em Arauá, com Rogério Carvalho e André Moura juntos, não foi coincidência. Foi teste de cenário. Rogério, que já chamou o governo de corrupto, agora recua, pede desculpas e recalibra o discurso. Política não perdoa incoerência, mas aceita conveniência. E o movimento foi exatamente esse.
No meio disso tudo, quem cresce e incomoda é Valmir de Francisquinho. E o governo sabe disso. Sabe tanto que começou a ocupar território, fazer eventos, levar estrutura, montar palanque onde antes não pisaria com tanta intensidade. O problema é que presença não resolve ausência de resultado. E o eleitor começa a perceber a diferença.
E enquanto a política esquenta, o governo tenta equilibrar dois mundos. Um discurso alinhado institucionalmente com Lula e, ao mesmo tempo, uma base política que começa a flertar com o projeto de Flávio Bolsonaro. Isso não se sustenta por muito tempo. Porque eleição exige posicionamento. E posicionamento cobra preço.
O mais grave é que, no meio dessa disputa, a gestão vai ficando em segundo plano. Problemas estruturais continuam acontecendo, crises se repetem e o foco vai se deslocando para articulação política. O governo reage, corre, aparece, mas não consegue impor uma narrativa de controle. Parece sempre um passo atrás.
No fim, Sergipe caminha para um cenário explosivo. Um estado pequeno, mas com um palanque potencialmente dividido entre dois projetos nacionais opostos. Lula de um lado. Flávio Bolsonaro do outro. E um governo estadual no meio, tentando não desagradar ninguém e correndo o risco de não convencer ninguém. Porque, em política, quem tenta ficar em dois lados ao mesmo tempo acaba ficando sem chão.




