A convenção nacional do PL transformou o Pacaembu numa mistura de final de campeonato, congresso conservador e excursão política com direito a bandeira, discurso e selfie até com o segurança. Flávio Bolsonaro foi oficializado candidato à Presidência, Eduardo Bolsonaro manteve a firmeza de sempre e Javier Milei chegou com o cabelo parecendo que tinha discutido com uma tomada. Na política brasileira, onde tem candidato que troca de opinião antes de o café esfriar, Eduardo continua sabendo exatamente de que lado está.
A delegação sergipana chegou em peso. Rodrigo Valadares apareceu como quem já tinha a senha do Wi-Fi da direção nacional. Moana Valadares avisou que Sergipe estava representado, e estava mesmo. Tinha deputado, vereador, militar, pré-candidato, candidato a candidato e gente tirando fotografia até com a cadeira vazia. Faltaram apenas o caranguejo, o amendoim cozido e alguém anunciando no microfone que o voo de volta para Aracaju estava atrasado.
Ricardo Marques disse que era hora de mudança. Coronel Rocha declarou que algumas presenças marcam e certas ausências definem o significado. Rocha não soltou uma indireta. Disparou um míssil com endereço, CEP, localização em tempo real e aviso de recebimento. Teve político sergipano que leu, colocou o celular no modo avião e fingiu que a publicação era sobre a convenção de outro estado.
Mas ninguém superou Luizão Donald Trump. Quando Javier Milei apareceu, Luizão olhou para o presidente argentino e soltou que ele era “um galego feio”. Pronto. Em cinco segundos, Luizão encerrou a diplomacia internacional, fez uma análise estética e inaugurou a crítica política de salão de beleza. Milei levou motosserra para a economia argentina e Luizão levou o espelho. O argentino provavelmente imaginava que seria recebido como leão. Acabou avaliado como galego feio por um sergipano chamado Donald Trump. Isso não é uma convenção. É um episódio perdido de Os Trapalhões produzido pela direita latino-americana.
No final, a convenção mostrou força, organização e muito barulho. Rodrigo e Moana fizeram articulação, Ricardo apresentou discurso, Coronel Rocha distribuiu indireta e Luizão realizou a primeira perícia estética internacional da política sergipana. Uns foram encontrar Flávio Bolsonaro. Outros foram procurar espaço na chapa. Luizão foi encontrar Milei e voltou com o diagnóstico pronto: galego e feio. Na delegação de Sergipe, cada um cumpriu sua missão. A de Luizão era fazer o eleitor rir. Missão cumprida com louvor, cabelo argentino e zero diplomacia.




