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Sergipe, terra de mulher forte

Enquanto o Brasil discute a ausência de mulheres na corrida presidencial, com nomes como Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, Sergipe assiste a cena com aquele olhar típico de quem já viu esse filme e sabe o final, muito discurso, pouca coragem e quase nenhuma mulher na linha de frente, porque por aqui a realidade não é muito diferente, e o mais curioso é que não é por falta de mulher capaz.

Hoje, no cenário sergipano, a presença feminina ainda aparece mais como coadjuvante de luxo do que como protagonista, com destaque para uma candidata a vice-governadora que, até aqui, praticamente carrega sozinha essa bandeira dentro das chapas majoritárias, enquanto o restante do elenco masculino continua ocupando o palco principal como se fosse um clube fechado, daqueles que aceitam mulheres… desde que seja para aplaudir, sorrir na foto e compor chapa, porque disputar de verdade ainda parece causar um certo desconforto institucional.

E é justamente aí que surge um ponto fora da curva que expõe ainda mais essa realidade, até agora, quem de fato rompeu esse padrão e dividiu o palco foi Valmir de Francisquinho, ao colocar Priscila Felizola como sua candidata a vice, abrindo espaço e dando protagonismo real dentro da chapa, enquanto o governador Fábio Mitidieri optou por manter a estrutura tradicional ao lado de Jefferson Andrade, e Ricardo Marques segue no jogo, mas ainda sem apresentar um nome feminino ou sequer definir quem ocupará a vice, deixando o cenário aberto e, ao mesmo tempo, revelando a dificuldade de renovação.

E aí vem a ironia que só Sergipe consegue produzir, um Estado pequeno, mas gigante em mulheres fortes, com lideranças como Emília Corrêa, que chegou ao comando da capital com voto, presença e pulso, além de deputadas estaduais e federais que têm voz, voto e coragem, e prefeitas do interior que administram cidades com mais firmeza do que muito gestor que anda de terno em Aracaju, mas quando o assunto é disputar o topo do poder, parece que alguém apaga a luz e diz “deixa que a gente resolve”.

Historicamente, Sergipe nunca teve uma governadora eleita, um dado que não é apenas estatístico, é simbólico, é quase um retrato emoldurado de uma política que ainda funciona no modo antigo, onde mulheres participam, trabalham, articulam, mas na hora da decisão final, o convite principal continua sendo entregue no velho grupo de sempre, e isso num Estado onde não faltariam nomes com densidade eleitoral, capacidade técnica e popularidade para encarar qualquer disputa majoritária.

Enquanto isso, no Brasil, já tivemos nomes como Dilma Rousseff, Marina Silva, Simone Tebet e Soraya Thronicke ocupando espaço, disputando voto, enfrentando campanha pesada, mostrando que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na presidência, mas Sergipe ainda parece estar naquele momento em que olha para tudo isso e diz “bonito lá fora, mas aqui vamos com calma”, como se liderança feminina fosse um projeto piloto e não uma realidade consolidada.

No fim, fica aquela sensação meio irônica, meio incômoda, Sergipe é farto de mulheres fortes, inteligentes, articuladas, mas a política local ainda age como se estivesse escolhendo peça de museu, com medo de mexer no que já está posto, e enquanto isso, a fila de homens cresce, os discursos se repetem e o eleitor observa, porque uma hora essa conta chega, e quando chegar, não vai ser com pedido, vai ser com voto, e aí não tem bastidor que segure.

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