Na Câmara de Aracaju, o Grande Expediente virou palco de pequenas batalhas épicas: de ônibus com ar-condicionado a tampas de bueiro com superpoderes, passando por reformas da Previdência tratadas como manuais de sobrevivência eleitoral. Cada vereador subiu à tribuna como se fosse o protagonista da própria série, com direito a roteiro, trilha sonora e, claro, umas boas farpas no script.
Teve parlamentar posando de CEO da cidadania, outro querendo combater ladrão de bueiro com tampão de fibra, e ainda quem misturasse bíblia, IOF, jogos de azar e geopolítica sul-americana numa só oração.
Enquanto isso, a reforma da Previdência dividia opiniões como se fosse final de campeonato – uns aplaudindo com entusiasmo institucional, outros freando com freio social.
No fim, até o lendário Suvaco da Gata virou cenário de redenção política.
Se você achava que sessão de Câmara era só tédio e formalidade, é porque ainda não leu essa crônica legislativa temperada com ação, sarcasmo e um fio de esperança. Agora sim, prepare-se para a narrativa completa, porque cada vereador fez seu show.

LÚCIO FLÁVIO (PL): De ônibus gelado a puxão de orelha cívico – Subiu à tribuna parecendo CEO da Cidadania S/A. Abriu com um parabéns triplo (Socorro, Sergipe e a si mesmo, claro). Depois, jogou confete na prefeita Emília Corrêa por colocar ar-condicionado nos ônibus – “um gesto humano”, disse, quase em tom de Oscar. Chamou o povo pra “exercer a cidadania” com a mesma força de quem convoca mutirão pra capinar praça: “Vamos cobrar, votar certo, reclamar com classe”. Teve também elogio à Secretária de Educação que, segundo ele, faz mágica sem burocracia.
Finalizou pedindo o presidente da Ajuprev no plenário, clima de CPI municipal tá formado. Ah, e ainda sobrou tempo pra criticar o PT e Moraes no mesmo fôlego: dois alvos, uma lapada só.
MAURÍCIO MARAVILHA (União Brasil): Saneamento e tampas antifurto — o herói dos bueiros – Maravilha fez jus ao nome: apareceu com vídeo, projeto de lei e plano de ação contra ladrões de tampas de bueiro. Isso mesmo. Disse que vai trocar as de ferro por tampas de fibra de vidro. “Se deu certo em Recife, aqui vai bombar”, prometeu. Elogiou a UBS do Soledade e exaltou o diálogo com o Sindimed. Resumo: entre saneamento e segurança dos bueiros, Maravilha tá querendo ser o vereador Marvel da periferia.
PASTOR DIEGO (União Brasil): Bíblia, Previdência e bomba na Colômbia – O pastor puxou um culto misturado com pronunciamento: Condenou agressão no PT, defendeu Previdência com justiça e criticou… jogos de azar. Sim, ele agradeceu ao Senado por barrar a legalização dos bingos e cassinos, “um alívio para as famílias”, disse. Também lamentou o assassinato de missionários na Colômbia, citando FARC e liberdade religiosa com tom de geopolítica celestial. E claro, meteu a colher na polêmica do IOF e criticou Moraes com toda a unção.
VINÍCIUS PORTO (PDT): Do Confiança à Confiança na Reforma – Começou torcendo pelo Dragão e terminou torcendo pela prefeita.
Disse que a reforma da Previdência não é coisa de partido, é coisa de gestor responsável. Foi o mais “institucional” do dia, parecia release da assessoria, mas com escudo do Confiança no fundo.
ÉLBER BATALHA (PSB): O sensor de desigualdade – Foi o contraponto. Enquanto uns aplaudiam a reforma da Previdência, Élber puxava a trava de emergência. Denunciou aumento de 7 anos para mulheres se aposentarem e falta de regra de transição. Clamou por “mais sensibilidade social”, tipo aquele amigo que, no churrasco, lembra que vegano também tem fome.

BIGODE DO SANTA MARIA (PSD): Do Suvaco da Gata ao topo do Morro da Gratidão – Finalizou os discursos com sotaque de bairro e coração de loteamento. Comemorou obra de drenagem no Guajará e emenda parlamentar no Jardim Recreio. O Suvaco da Gata, agora Recanto Verde, ganhou até nome de novela das seis. Prometeu continuar torcendo. Ou seja, se depender dele, Aracaju vai ser salva no grito.




