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Telha virou ringue: Flávio e Neto Dias trocam farpas e o eleitor pede ingresso

Em Telha, a política parece ter abandonado o palanque para estrear um show de stand-up sem bilheteria: os ingressos são pagos com a paciência do eleitor. O ex-prefeito Flávio Dias teria chamado o engenheiro e ex-candidato Neto Dias de “incompetente” e “preguiçoso”; Neto, segundo o relato sobre postagens recentes, respondeu que a “máscara” de Flávio cairá. 

Os personagens, porém, não surgiram ontem. Flávio Freire Dias governou Telha por dois mandatos e apoiou a sucessão de Lucas de Flávio. Neto Dias, José Antônio Dias Neto, engenheiro e candidato do PP, enfrentou Lucas na eleição de 2024: recebeu 911 votos (28,64%), contra 2.270 (71,36%) do eleito. Ou seja, a rivalidade tem urna, número e placar. Quem procura prova de uma amizade antiga entre Flávio e Neto, contudo, encontra muito mais evidência de desentendimento político do que de parceria pessoal. Sobrenome igual não é certidão de amizade; em política, às vezes é só coincidência no cartaz da briga.

Há histórico documentado de atrito. Em março de 2024, Flávio acusou Neto de agir como traidor ao supostamente procurar apoio de André Moura para disputar a Prefeitura contra seu grupo. Neto negou a versão em entrevista, e aliados presentes ao encontro também contestaram a narrativa. Já naquela época, Telha acompanhava uma novela em que cada capítulo trazia um novo desmentido. Agora, com a troca de adjetivos atribuída aos dois, falta o essencial: Flávio dizer objetivamente em que atos se baseia ao atacar a capacidade de Neto; e Neto explicar qual fato concreto sustenta a promessa de que uma máscara vai cair. Metáfora pode render curtida; prova rende notícia.

No fim, o maior prejudicado pode ser o debate público. Telha precisa discutir serviços, contas e projetos, enquanto seus protagonistas parecem disputar o prêmio de melhor resposta atravessada do Baixo São Francisco. Não há confirmação, nesta apuração, de confissão de irregularidade por qualquer um deles nas mensagens recentes. Se existe denúncia, que venha com documento; se existe crítica administrativa, que se indique o fato; se é apenas briga, assumam o roteiro. O cidadão não escolheu prefeito nem oposição para assistir a uma versão municipal de ‘A Praça É Nossa’ em horário integral. Risada é bem-vinda. Prestação de contas é obrigatória.

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