PUBLICIDADE

Terceira via sai do papel e entra no jogo

No começo do ano, com o governador Fábio Mitidieri ainda em solo sergipano e com o controle absoluto do tabuleiro político, o clima eleitoral no Estado lembrava aquelas peladas canceladas por falta de adversário. A sensação era de eleição por WO. Governo em campo, torcida conhecida, juiz pronto, mas ninguém do outro lado da linha do meio-campo. Parecia fácil demais. E política, quando parece fácil demais, costuma esconder a rasteira.

Pois bem. Sergipe acordou. Hoje, o cenário é outro. O que antes era silêncio virou cochicho, o cochicho virou articulação e a articulação começa a ganhar cara de chapa. A direita sergipana, que andava dispersa como grupo de WhatsApp depois de briga, começou a se organizar. E o movimento mais simbólico veio de onde menos se esperava.

O Republicanos, que até ontem orbitava a base do governo, mudou de direção. Saiu da zona de conforto e foi parar nas mãos da prefeita Emília Corrêa, oposição declarada ao Palácio. Emília não chegou sozinha. Veio acompanhada de Edvan Amorim e Valmir nomes que, em Sergipe, não entram em conversa política sem provocar silêncio respeitoso na sala.

Da mesa dessas conversas começou a ganhar força um nome conhecido, testado e rodado. Eduardo Amorim. Ex-senador, ex-deputado federal e figura que conhece o mapa eleitoral do Estado como quem conhece o caminho de casa no escuro. A possibilidade da sua candidatura ao governo deixou de ser especulação de bastidor e passou a circular como hipótese concreta.

Enquanto isso, o governador fez o movimento clássico de quem percebe que o jogo esquentou. Lançou logo o pacote completo. Reeleição na cabeça de chapa, Jeferesson Andrade como pré-candidato a vice e, para o Senado, André Moura e Alessandro Vieira. Movimento rápido, quase preventivo. Fechou portas, amarrou alianças e deixou claro que não haveria espaço para negociações paralelas.

Esse fechamento, no entanto, teve efeito colateral. Gente que acreditava numa conversa mais ampla, inclusive com o presidente Lula, ficou olhando o avião decolar. O nome de Rogério, que circulava como possível encaixe em uma engenharia política mais flexível, simplesmente saiu do radar. O governador viajou e, quando voltou, o tabuleiro já tinha mudado.

É aí que a história fica interessante. Enquanto governo e direita reorganizada se posicionavam, um terceiro bloco começou a ser desenhado. Ainda em rascunho, é verdade, mas rascunho político costuma virar projeto rápido quando encontra espaço eleitoral. A hipótese que corre nos corredores é clara. Adailton Sousa, pelo Podemos, como candidato ao governo. Na vice, Priscila Filizola, filha de Belivaldo Chagas, trazendo peso político e memória recente de gestão. Para o Senado, uma chapa forte do PT e PDT , com Edvaldo Nogueira e Rogério Carvalho.

Pronto. Três blocos na mesa. O que isso significa, na prática? Significa que a eleição que parecia resolvida no primeiro turno começa a ganhar cheiro de segundo. E segundo turno, em Sergipe, nunca é apenas continuação. É outro jogo. Outra campanha. Outra matemática.

Se esse desenho se confirmar, o Estado pode assistir a uma disputa em que Eduardo Amorim e Adailton Sousa se enfrentam pela vaga final. Quem passar, leva consigo um ativo poderoso. A unificação natural da oposição contra o governo. E, nesse cenário, o favoritismo de Mitidieri deixa de ser passeio e vira corrida.

Nada disso está escrito em pedra. Política é movimento, não fotografia. Mas uma coisa já mudou. Sergipe deixou de discutir se teria eleição competitiva. Agora discute quem chega mais forte ao segundo turno. 

Nos bastidores, nas redes sociais e nas conversas de esquina, o tema da terceira via já não soa exótico. Soa plausível. E, em política, quando algo se torna plausível, passa a ser perigoso para quem achava que venceria por WO. O futuro segue aberto. E, pela primeira vez em algum tempo, Sergipe parece disposto a disputar o jogo até o apito final.

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *