A entrada do ministro André Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral não é apenas troca de cadeira. É sinalização. É mudança de atmosfera. Em um país que transformou eleição em tensão permanente, qualquer gesto institucional que aponte para serenidade já é avanço. O TSE apresentou dez recomendações claras aos magistrados para 2026. Ética. Imparcialidade. Transparência. Nada revolucionário. Apenas o básico sendo reafirmado como se fosse novidade. Talvez porque o óbvio tenha andado escasso.
As orientações do TSE são claras, juiz deve agir com discrição, evitar eventos politicamente sensíveis e manter postura absolutamente isenta. A regra vale para todos, inclusive para o ministro Flávio Dino. A imagem pública do magistrado influencia diretamente a confiança no processo eleitoral. Em ano pré-eleitoral, a toga precisa estar distante de qualquer aparência de palanque. O eleitor não espera espetáculo, espera equilíbrio e credibilidade.
A presença de André Mendonça reforça essa expectativa de sobriedade. Independentemente da origem de indicação, o que importa agora é a conduta. O TSE não pertence à esquerda, à direita ou ao centro. Pertence ao eleitor. E o eleitor não quer espetáculo. Quer segurança jurídica. Quer regras iguais para todos. Quer decisões fundamentadas, não frases de efeito. Se a nova composição da Corte ajudar a baixar a temperatura e elevar o padrão técnico, já terá prestado serviço relevante à República.
Há um ponto central que precisa ser dito sem rodeios. Confiança eleitoral não nasce de discursos inflamados nem de blindagens automáticas. Nasce de procedimentos claros e comportamento irrepreensível. Quando presidentes de TREs reforçam neutralidade e compromisso com isenção, o que está em jogo é algo maior que um pleito. É a credibilidade do sistema. Democracia madura não teme fiscalização. Ao contrário, se fortalece com ela.
Se 2026 for conduzido com serenidade, rigor técnico e igualdade de tratamento, o Brasil poderá, enfim, atravessar uma eleição sem a sombra permanente da dúvida. Não porque todos concordarão com o resultado. Isso nunca acontecerá. Mas porque confiarão no processo. E isso muda tudo. Que essa nova fase do TSE seja menos palco e mais instituição. O país agradece quando a Justiça trabalha em silêncio e entrega previsibilidade. É disso que o eleitor precisa.




