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O preço da adrenalina: quem responde por mortes no turismo radical

Juliana Marins tinha 26 anos, um gosto por aventura e uma mochila cheia de expectativas. Morreu sozinha, após despencar 600 metros de um penhasco no Monte Rinjani, na Indonésia. A tragédia, no dia 24 de junho de 2025, escancara uma pergunta incômoda: até onde vai a liberdade do turista e onde começa a responsabilidade do Estado?

Essa linha tênue entre adrenalina e imprudência, entre escolha individual e falha sistêmica, precisa ser debatida — principalmente num mundo onde vender “experiências radicais” virou um mercado bilionário e, muitas vezes, desregulado.

A liberdade de se arriscar tem limite?

Juliana contratou uma trilha num dos vulcões mais famosos (e perigosos) da Ásia. Em tese, ela sabia dos riscos. Na prática, não teve apoio quando mais precisou. Cansada, se afastou do grupo e caiu. O resgate demorou quatro dias. Quando encontraram seu corpo, não havia dúvida: ela estava sozinha, ferida e esquecida.

Isso é aventura ou abandono?

Assumir riscos faz parte da vida. Mas quando se trata de turismo de aventura — em trilhas, vulcões, saltos ou mergulhos — essa decisão nunca é isolada. Há uma cadeia de responsabilidade: do turista, sim, mas também das agências, guias, operadores e do próprio Estado.

O papel do Estado: mais que socorrer, prevenir

Em locais como o Monte Rinjani, o número de acidentes nos últimos anos é alarmante. Só isso já deveria acionar todos os alarmes das autoridades. Mas o que se vê, na maioria das vezes, é improviso e marketing vendendo “experiência única” sem preparo mínimo.

Sinalização precária, guias mal treinados, falta de monitoramento e comunicação deficiente com os visitantes são a regra — e não a exceção. No caso de Juliana, familiares acusaram as autoridades locais de mentirem sobre seu paradeiro. Disseram que ela estava bem, abrigada, sendo cuidada. Era mentira.

Além disso, o Estado (no caso, o indonésio) demorou a mobilizar um resgate eficaz. Enquanto isso, uma brasileira agonizava na encosta de um vulcão.

A conta é de quem?

Claro que o turista tem responsabilidade. Mas é justo colocar toda a culpa em quem pagou por um serviço que prometia segurança, com guia e estrutura? Juliana não era uma exploradora solitária — era cliente. E a morte dela, apesar do risco embutido na atividade, foi agravada pela resposta (ou ausência dela) das autoridades e da empresa que a levou até lá.

No Brasil, a história se repete. Quem não se lembra do balão em Santa Catarina que caiu matando oito pessoas? Operava sem licença. E, mesmo assim, voava.

Há um padrão. Aventuras vendidas como experiências transformadoras que, por trás da estética bonita do Instagram, escondem negligência, falta de fiscalização e um Estado ausente.

O que fazer: criminalizar ou regulamentar?

Proibir o turismo de aventura é inútil — e autoritário. Mas fingir que tudo depende da “escolha do turista” é igualmente covarde.

O que falta é um modelo de regulação que:

  • Exija credenciamento e formação de guias;
  • Imponha planos de emergência obrigatórios;
  • Fiscalize rotas de alto risco com frequência;
  • Estabeleça responsabilidades civis e criminais claras para empresas e operadores.

E, principalmente, que não trate cada morte como uma fatalidade isolada.

Conclusão: liberdade com responsabilidade, para todos

Juliana não morreu apenas por ousadia. Morreu por negligência compartilhada — dela, sim, mas também de quem prometeu segurança e entregou abandono. A lição é amarga: em turismo radical, não basta coragem. É preciso estrutura, fiscalização e, sobretudo, respeito pela vida humana.


O que você acha? O turismo radical precisa de mais regras ou é cada um por si? Comente, compartilhe e traga sua opinião para esse debate urgente.


Fontes principais

Reuters, The Independent, Daily Beast, El País, CNN Brasil

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