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Uber de luxo em Brasília

Precismos abrir os olhos, porque o que está acontecendo em Brasília não é viagem, é turismo institucional de alto padrão. Dados recentes mostram que, só em 2025, pelo menos 38 deputados, 20 senadores, 4 ministros do governo e 4 ministros do Supremo Tribunal Federal desfilaram em jatinhos privados, daqueles que não aparecem no aplicativo, mas aparecem na conta moral do país. E aí começa o espetáculo, ninguém sabe de quem é o avião, ninguém sabe quem pagou, mas todo mundo embarcou confortável, sorrindo e com a agenda “oficial” no bolso.

Vamos aos nomes, porque aqui não tem meia palavra. Alexandre de Moraes voou ao menos oito vezes em jatinhos ligados a empresas envolvidas em investigações, e não foi sozinho, a esposa dele, Viviane Barci, também entrou nesse roteiro aéreo de luxo. Dias Toffoli apareceu em voos semelhantes, inclusive com deslocamento registrado em aeronaves privadas. Kassio Nunes Marques virou passageiro frequente de avião de advogado que atua justamente na corte onde ele julga. E Gilmar Mendes também não ficou de fora dessa ponte aérea seletiva.

E não para por aí. No Congresso, o festival continua. Senadores como Otto Alencar voaram três vezes em aeronaves de empresas ligadas a figuras do Banco Master. Ciro Nogueira fez oito viagens em avião de empresário ligado à JBS. E a explicação padrão já virou piada pronta, “não sabia de quem era o avião”, “foi convite”, “foi carona”. Rapaz, esse Brasil virou um Uber VIP onde ninguém paga a corrida, mas alguém sempre lucra no destino.

E aí vem a pergunta que precisa ser feita ao sergipano, com todo respeito e uma boa dose de ironia. Você acha justo esse pessoal voar em avião de empresário, de advogado, de gente que tem interesse direto em decisões deles, e depois dizer que não sabe quem é o dono. Você acha normal ministro julgar processo de quem já lhe deu carona nas alturas. Ou isso é só coincidência aérea, dessas que só acontecem a 40 mil pés de altitude.

Agora imagine o contrário. Imagine se isso tivesse acontecido em outro governo, com outro grupo político. O que estariam dizendo nas redes sociais, nos jornais, nas tribunas. A palavra conflito de interesse estaria piscando em neon, estaria estampada em todo canto. Mas quando convém, vira “agenda privada”, vira “deslocamento pessoal”, vira silêncio institucional. E o povo, claro, paga a passagem sem nem embarcar.

No final das contas, o Brasil criou um sistema curioso. De um lado, autoridades com acesso a jatinhos de luxo, viagens discretas e explicações criativas. Do outro, o cidadão comum brigando por vaga em ônibus lotado, pagando passagem cara e esperando horas por um serviço básico. Precisamos olhar para isso e perguntar, quem está voando alto demais e quem continua preso no chão pagando essa conta toda.

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