Layla Sofia Menezes tinha um ano e onze meses. Hoje, dia 26 de junho, faria dois anos. Mas não fez. Não por doença, não por um acidente trágico e inevitável. Layla morreu porque um homem, sem habilitação, alcoolizado, com uma arma ilegal, se sentiu incomodado por uma buzina.
O que começou como uma tentativa de ultrapassagem virou uma perseguição. E o que era para ser apenas mais uma volta para casa após um São João em família se transformou em um velório. Um tiro na cabeça. Um tiro. Na cabeça. De um bebê. A 100 metros de casa.
A história é brutal demais para caber em palavras. Mas é justamente por isso que ela precisa ser escrita. Precisa ser dita. Precisa ecoar. Não se trata de uma fatalidade. Se trata de um Estado falido. De uma sociedade anestesiada. E de um sistema que falha todos os dias.
O autor do disparo, Alex de Oliveira Nunes, não era um cidadão comum que cometeu um erro. Ele já havia sido investigado por tentativa de homicídio. Já tinha ferido antes. Continuava solto. Continuava armado. Continuava impune. Agora, matou uma criança. E só agora está preso.
Mas talvez o mais revoltante nessa tragédia, além da própria morte de Layla, seja o retrato de indiferença pós-crime. Não a do acusado, que alegou “não querer matar ninguém”. Mas a do seu advogado. Após a audiência de custódia, em que a prisão em flagrante foi convertida em preventiva, o advogado Josefhe Barreto fez questão de dizer em vídeo, depois de comentários sobre sua atuação no caso: “Tô nem aí pros comentários da internet. Meu dinheiro tá na conta. Daqui a pouco vou tomar meu uísque do melhor, lógico. Beijos de luz. Beijos de luz?”.
Layla foi enterrada com uma bala na cabeça, e a resposta do advogado do acusado é um brinde com uísque? Que tipo de sociedade estamos alimentando quando a defesa, legítima no Direito, mas indecente na postura é feita com escárnio e ostentação?
Não é sobre julgamento moral de um advogado cumprir seu papel. É sobre o limite do humano. Sobre o que se diz diante da dor alheia. Sobre o que se cala diante do horror. O problema não é defender. O problema é debochar. É zombar da dor de uma mãe que desceu de um carro com a filha nos braços, já sem vida, pedindo socorro. O problema é normalizar a barbárie. E aqui, não há espaço para neutralidade. Uma criança foi assassinada. E não foi por bala perdida. Foi por ódio gratuito, por machismo no trânsito, por masculinidade armada e pela certeza da impunidade.
Hoje, Layla faria dois anos. Mas terá apenas eternos 1 ano e 11 meses. Porque alguém “quis assustar”. Porque o Brasil virou um lugar onde buzinar pode ser sentença de morte. Onde uma vida inocente vale menos que o ego de um homem com uma arma. Onde o luto de uma família é respondido com vídeos debochados e “beijos de luz”.
A sociedade sergipana e brasileira precisa reagir. Precisa sair do silêncio. É preciso se indignar. Gritar. Exigir justiça. Lutar para que Layla não seja mais um nome esquecido entre estatísticas. Layla não pode mais crescer. Mas nós, sim, podemos e devemos crescer como sociedade. Por Layla. Pela mãe. Pelo pai. Pela infância. Pelo futuro. Que a memória dela seja semente de indignação. E que a justiça não seja mais um enfeite nas vitrines jurídicas do país.
E você? Vai se calar diante disso? Comente. Compartilhe. Reaja. Sua voz pode ser o começo de uma mudança. Nos comentários, conte: O que mais te revolta nesse caso? O que você espera da Justiça? Como podemos, como sociedade, impedir que outra Layla seja silenciada? Não deixe que o silêncio seja cúmplice.




