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Sergipe proibiu celular nas escolas. Mas a regra vale pra todos?

A lei existe. A fiscalização, nem tanto. E entre o discurso e a prática, quem tá no meio do fogo cruzado? O aluno.

Desde fevereiro de 2024, o Brasil tem uma diretriz clara: Lei 14.811/24, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para prever a restrição do uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula, salvo quando houver autorização pedagógica. A medida visa combater distrações e promover um ambiente mais produtivo de aprendizagem. Até aí, tudo bonito no papel.

Mas e em Sergipe, o menor estado do Brasil? A norma virou prática ou mais uma promessa com cara de cartaz na parede da sala?

Escolas privadas x escolas públicas: dois mundos, dois pesos

Nos colégios privados de Aracaju e região metropolitana, o cumprimento da lei é quase protocolar. Portões com revistas, caixas para guardar aparelhos, professores treinados para conter rebeldes digitais. Resultado: o celular desaparece da sala — ou pelo menos se esconde melhor. Tem regra, tem cobrança, e tem medo de retaliação (dos pais, inclusive).

Já nas escolas públicas, o cenário é outro. Faltam monitores, sobram alunos. A proibição existe, mas quem fiscaliza?Muitos diretores confessam que o máximo que conseguem fazer é orientar. E na prática, professor vira policial e perde mais tempo mandando guardar o aparelho do que explicando equação.

Ou seja: a mesma leidois mundos distintos. E no meio disso, a desigualdade educacional só se agrava.

Os alunos mudaram? Sim. Mas não exatamente como esperavam

Com o celular fora de cena — pelo menos oficialmente — algo curioso aconteceu: os alunos voltaram a conversar. Corredores e pátios que antes pareciam salas de espera silenciosas hoje têm mais barulho, mais interação, mais zoeira (e também mais conflitos, claro).

Grupos se formam, memes viram piada oral, e a galera troca ideia cara a cara. Professores relatam que os estudantes, em especial os mais novos, estão redescobrindo o tal “olho no olho”. Mas também tem quem fique perdido, sem saber o que fazer com as mãos. A dependência da tela não desaparece da noite pro dia.

A tal “lei do silêncio digital”: aplicada ou ignorada?

A verdade? Em Sergipe, a aplicação da lei depende da escola, da gestão e da estrutura. Em regiões mais centrais de Aracaju, colégios com verba e equipe conseguem aplicar. No interior, onde falta até ventilador, o celular é quase um item de sobrevivência — usado até como lanterna.

Além disso, muitos professores usam o próprio celular como recurso didático. Sim, o mesmo aparelho que o aluno não pode tirar do bolso vira ferramenta de aula. Contradição? Sem dúvida. Mas também reflexo de um sistema que não atualizou sua lógica nem sua estrutura.

O problema é o celular ou o vazio que a escola insiste em não preencher?

No fim, a questão é menos sobre a presença do celular e mais sobre a ausência de propósito nas aulas. Tirar o aparelho sem mudar o conteúdo é trocar o sintoma, não a causa. Enquanto a escola seguir presa num modelo que o aluno não reconhece como útil, a distração vai continuar existindo — com ou sem tela.


Você estuda ou trabalha em escola pública ou privada em Sergipe? A tal lei do celular mudou alguma coisa de verdade? Comenta aqui e compartilha essa análise com quem ainda acha que o problema é só “guardar o aparelho”.


Fontes principais:

Agência Senado, G1 Sergipe, Secretaria de Estado da Educação de Sergipe, Professores da rede pública e privada.

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