Durante mais de uma década, Aracaju vem mantendo uma tradição curiosa e nada republicana: o vice-prefeito é sempre o figurante da história. Ricardo Marques é apenas o mais novo nome a engrossar a lista dos “invisíveis do poder”. Não é o primeiro, e, pelo visto, também não será o último a ocupar o cargo sem ter, de fato, voz ou protagonismo na gestão.
O vice-prefeito: um enfeite institucional em Aracaju
Enquanto o Estado valoriza seus vices, Aracaju parece tratar o segundo cargo mais alto do Executivo municipal como um prêmio de consolação. Não há função real, não há atribuição prática, e muito menos espaço para autonomia. O vice vira um espectador de luxo com gabinete, mas sem palco.
E isso não é exclusividade de Ricardo Marques. A cidade vem repetindo esse roteiro há mais de dez anos. Uma espécie de tradição política: o vice entra, posa para foto, participa da diplomação… e depois some.
O contraste com o governo do Estado
Basta olhar para o Palácio dos Despachos para perceber a diferença. O Governo do Estado, ao contrário da Prefeitura de Aracaju, costuma integrar e destacar seus vices. O exemplo mais recente é Serginho Sobral, que tem papel ativo e visível na área da Educação estadual.
Enquanto isso, a prefeita Emília Corrêa parece repetir o velho roteiro da indiferença política: fala em parceria, mas age com distanciamento. O vice, mais uma vez, é deixado de lado e o eleitor, que votou em uma chapa, descobre que, na prática, escolheu apenas metade do poder.
Por que Aracaju insiste nesse modelo?
Essa cultura de desprezo institucional pelo vice-prefeito revela muito sobre o modo como o poder é administrado na capital. É o “eu mando, você assina embaixo”. A falta de protagonismo dos vices demonstra uma lógica concentradora, onde qualquer sombra de autonomia é vista como ameaça.
Ricardo Marques, portanto, apenas repete um destino traçado antes dele. Mas talvez fosse hora de Aracaju discutir o papel do vice e se vale a pena continuar elegendo alguém para um cargo que, na prática, é apenas decorativo.
Porque vice que não participa, não governa. E governo que não compartilha poder, não evolui.
Por Jessinho News
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Fontes Principais
- Secretaria de Educação de Sergipe
- Prefeitura de Aracaju
- Arquivos públicos e históricos das gestões municipais




