Há parlamentares que passam por Brasília apenas ocupando uma cadeira. Outros conseguem ocupar espaço. Yandra Moura pertence ao segundo grupo. Em pouco tempo de mandato, a jovem deputada federal transformou uma estreia cercada de expectativa em uma atuação que chamou a atenção pela produtividade, pela presença institucional e pela capacidade de construir pontes entre Sergipe e a Câmara dos Deputados.
Primeira mulher eleita deputada federal por Sergipe e a mais votada da história do Estado, Yandra chegou ao Congresso carregando um sobrenome conhecido da política sergipana. Isso lhe abriu portas, mas também aumentou a responsabilidade. Em vez de fugir das comparações, escolheu responder da forma mais difícil: trabalhando. O resultado foi um mandato marcado pela apresentação de dezenas de propostas, pela aprovação de projetos de impacto social e pela ocupação de funções estratégicas, como a coordenação do Observatório Nacional da Mulher na Política, a presidência da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e a vice-liderança do maior bloco partidário da Câmara.
Entre as bandeiras mais conhecidas do seu mandato estão a defesa das mulheres, das mães atípicas, das pessoas com deficiência, do fortalecimento dos municípios e da redução da burocracia enfrentada por famílias que convivem diariamente com doenças permanentes. Projetos voltados à validade por tempo indeterminado de laudos médicos para pessoas com deficiência permanente e ao incentivo à contratação de mães atípicas colocaram seu mandato em evidência nacional.
Mas talvez o maior desafio de Yandra não esteja apenas nas votações do Congresso. A chegada do pequeno José acrescentou uma nova missão à rotina já intensa entre aeroportos, plenários, audiências e visitas aos municípios sergipanos. Hoje, ela vive o desafio comum a milhares de mulheres brasileiras: equilibrar maternidade, família e carreira sem abrir mão de nenhuma das duas paixões.
Nesta entrevista ao Portal Fausto Leite, Yandra Moura fala sobre política, maternidade, bastidores do mandato, reeleição, família e revela um lado pouco conhecido da mulher que existe além da deputada federal.
PORTAL FAUSTO LEITE – Deputada, quando a senhora olha para trás e vê os primeiros anos do mandato, qual foi o momento em que pensou: “agora eu deixei de ser apenas uma promessa eleitoral e me tornei efetivamente uma parlamentar”?
Yandra Moura – Quando aprovei o meu primeiro projeto na Câmara dos Deputados. Sempre soube o quanto era difícil aprovar um projeto naquela Casa. Muitos deputados concluem os quatro anos de mandato sem conseguir aprovar um único projeto e, já no primeiro ano, eu consegui aprovar 4 Projetos de Lei, e 6 até agora. Assim como fui reconhecida como uma das parlamentares mais influentes do Brasil, fui a única representante nordestina das 12 parlamentares mulheres brasileiras que obtiveram esse destaque. Isso foi realmente uma virada de chave que fez com que os compromissos eleitorais se tornassem realidades.
PORTAL FAUSTO LEITE – Brasília costuma transformar muita gente. Uns chegam idealistas e voltam burocratas. Outros chegam tímidos e voltam ministros de si mesmos. O que a política nacional mudou em Yandra Moura como mulher, como cidadã e como parlamentar?
Yandra Moura – Realmente o ambiente político em Brasília não é fácil. Mas é só manter o pé no chão e continuar focando nos objetivos, nos projetos, na busca de recursos para Sergipe. O nível do meu comprometimento com o mandato e com as causas de Sergipe sempre me mantiveram muito ocupada, então o foco sempre foi no trabalho, as mudanças que aconteceram posso considerar como positivas porque fortaleceram minha postura, o mandato e ampliaram as conquistas para nosso estado.
PORTAL FAUSTO LEITE – A senhora entra agora em um novo desafio: conciliar a vida de deputada federal com a maternidade. Como é viver essa montanha-russa entre mamadeiras, agendas, plenários, aeroportos e votações? Existe culpa de mãe quando o avião decola para Brasília?
Yandra Moura – Desde o início não tem sido fácil. Como mãe, o nível de exigência e atenção que preciso ter com meu pequeno José são insubstituíveis. Enquanto as mães brasileiras têm direito a licença maternidade de 4 a 6 meses, tive que retornar minhas atividades com menos de 3 meses de vida de José. Não é uma rotina fácil, existe todo um preparo antes de viajar, deixar tudo certinho, tirar o leite inclusive na estrada a caminho dos municípios sergipanos, a saudade que dá o dia inteiro, toda hora checando com meu esposo se está tudo bem. É apreensivo demais. Em relação a Brasília o sentimento existe uma saudade e vontade de estar presente participando das discussões e votações importantes. Lá, eu cumpro a licença que o regimento permite, mas sigo acompanhando as tramitações dos meus projetos e das pautas importantes para o país.
PORTAL FAUSTO LEITE – O eleitor conhece a deputada. Mas quem é a Yandra que chega em casa? É organizada ou bagunceira? Cozinha ou pede delivery? Assiste série ou apaga no sofá? Como é a mulher por trás do mandato?
Yandra Moura – Ah, sou muito organizada. Não gosto de bagunça e nem das coisas fora do lugar. A casa reflete um pouco da nossa vida, tudo deve permanecer organizado, em seu devido lugar. Eu adoro cozinhar, não sei fazer comidas muito complexas, mas gosto da terapia de estar na cozinha fazendo algo. Adoro assistir filmes e algumas séries, agora menos por conta da atenção integral a José, mas gostava bastante de assistir com meu esposo.
PORTAL FAUSTO LEITE – Seu pai, André Moura, é uma das figuras políticas mais experientes de Sergipe. Em casa, quando o assunto é política, ele é mais conselheiro, treinador, comentarista de arquibancada ou técnico que ainda quer escalar o time?
Yandra Moura – Assim como meu avó Reinaldo Moura (in memoriam), meu pai é um excelente conselheiro. Ele me deixa super a vontade, acompanha as coisas a distância e opina quando acha algo relevante que possa contribuir, muito por sua experiência como político. Mas sobre o que perguntou acima, ele é conselheiro mesmo. Fico muito à vontade para tomar as minhas decisões, ele como conselheiro emite algumas opiniões e eu escuto como pai, conselheiro e amigo, mas a decisão é minha, fico muito a vontade para tomar as minhas decisões, seguir as pautas que eu defendo e os ideais que eu acredito e luto tanto, seja em Brasilia ou em Sergipe.
PORTAL FAUSTO LEITE – Existe um momento em que a senhora desliga a deputada federal e vira apenas esposa, mãe, filha e amiga? Ou a política invade até o almoço de domingo e a sobremesa já vem acompanhada de pesquisa eleitoral?
Yandra Moura – Sempre fiz o possível para separar isso em casa. As vezes é bem difícil, a política é um trabalho que não tem carga horária estabelecida, é sempre intensa. Mas tenho consciência de que a família precisa da atenção seja da esposa, da mãe, da filha ou da irmã Yandra, por isso, faço o máximo para definir um espaço para ambas as coisas.
PORTAL FAUSTO LEITE – A senhora foi eleita com uma votação histórica e agora se prepara para buscar a reeleição. O que o eleitor pode esperar de uma eventual Yandra Moura em segundo mandato que ainda não viu na primeira passagem pela Câmara Federal?
Yandra Moura – Ainda mais trabalho. Temos muitos projetos importantes que ainda precisam avançar na Câmara. Continuarei trabalhando pelo fortalecimento das mulheres, do municipalismo, para dar mais condições e dignidade para pessoas com deficiência, trazer mais investimentos para a saúde, educação, infraestrutura, turismo, cultura, todas as áreas, assim como já estamos fazendo. O eleitor pode esperar uma Yandra ainda mais comprometida com Sergipe, que irá buscar ainda mais recursos nos ministérios para trazer pro nosso estado e também apresentar novos projetos sempre ouvindo a sociedade, buscando essas ideias e levando para Brasilia.
PORTAL FAUSTO LEITE – Se daqui a dez anos alguém perguntar ao seu filho quem foi Yandra Moura na política, qual seria a resposta que mais lhe deixaria orgulhosa ouvir?
Yandra Moura – A primeira mulher eleita deputada federal de Sergipe, a mais votada, a que mais trabalhou durante o mandato, que lutou para fazer a boa política, transformou vidas, melhorou a vida das pessoas. Aquela que apresentou projetos para o presente, mas também pensando nas gerações futuras, a que orgulhou a todos os sergipanos durante o mandato.
PORTAL FAUSTO LEITE – Deputada, a senhora herdou um sobrenome forte, mas também uma cobrança proporcional ao peso desse sobrenome. Em algum momento sentiu a necessidade de provar mais do que os outros para mostrar que não era apenas “a filha de André Moura”, mas uma parlamentar com identidade própria?
Yandra Moura – Realmente, a minha entrada na política foi através do sobrenome Moura, o qual tenho muito orgulho. Eu já cheguei em Brasília com esse “peso” e responsabilidade de fazer um bom trabalho, e assim eu fiz. Montei uma equipe competente e comprometida, trabalhamos muito, apresentamos diversos projetos, mobilizamos os deputados, conseguimos aprovar 6 projetos de Lei, uma marca que entra para a história, conseguimos desbloquear recursos que estavam travados e esquecidos na área da educação, moradia e saúde. Esse trabalho feito foi e está sendo reconhecido pela população, então hoje já tenho identidade própria, as pessoas reconhecem o meu trabalho e têm a consciência de que o voto de confiança que me deram foi retribuído com muito trabalho e dedicação por Sergipe.





Uma resposta
Sergipe agradece, e conta com você!
6 projetos de lei aprovados, isso é uma marca épica, que Deus te encha de sabedoria Yandra Moura!
Ass: Nora da dona Márcia!