“Como é que eu durmo agora se acabou de chegar aqui no celular uma mensagem do WhatsApp…” Em Nossa Senhora do Socorro, a música virou decreto. Só que, em vez de romance, veio exoneração. Às cinco da manhã, o prefeito Samuel Carvalho resolveu atualizar a gestão pública para o modo notificação: pingou no telefone de Adriano Bandeira e pronto, fim de capítulo. Sem reunião, sem explicação, sem cerimônia. Só o clássico “é só uma conferida… depois disso eu vou deitar”. Só que quem deitou foi a política pública.
“Eita lasqueira, que mensagem fogueteira…” Não era convite, era desligamento. E aqui começa o enredo que constrange qualquer manual de administração. Bandeira não foi acusado de incompetência, não deixou de apresentar resultado, não faltou com entrega, não aliciou ninguém. Pelo contrário. Mais de três mil pessoas tiveram seus pets atendidos, castrados, consultados, vacinados, programas itinerantes aplicados. Tudo isso sem orçamento robusto, na raça, no corpo a corpo com quem realmente precisa. Em vez de reconhecimento, recebeu um áudio invisível: “tá fora”.
“Se amanhã é segunda-feira, isso vai dar ibope…” Deu mesmo. Porque a demissão não nasce do nada. Ela vem na esteira da mudança partidária da deputada Kit Lima. E aí a letra muda: não é gestão, é política. Não é técnica, é alinhamento. Em Socorro, quem não dança conforme a playlist oficial de Samuel perde a vez. Coincidência virou método, e o método virou regra. A máquina pública deixa de ser serviço e passa a ser instrumento.
“Não faz isso comigo, isso é um perigo…” É, é perigo mesmo. Porque quando o critério deixa de ser resultado e passa a ser conveniência, o recado para toda a equipe é claro: trabalhar bem não garante nada. E o histórico recente não ajuda. Professores ignorados, contratos sob questionamento, coleta de lixo sob crítica. A cidade coleciona episódios que apontam para um problema maior: falta de rumo. E quando não há rumo, qualquer notificação vira decisão.
“Mandou uma foto… e a malvada tá sem roupa…” Aqui, a nudez é outra: é a exposição de uma gestão que já não consegue esconder o improviso. Demitir por WhatsApp não é só desrespeito, é símbolo. É dizer que processo não importa, que instituição não importa, que gente não importa. Importa o clique, o timing, a conveniência. E o cidadão, que deveria ser o centro, vira espectador de um reality administrativo de gosto duvidoso. Help…
No fim, fica o refrão que ecoa em Socorro: “amanhã vou publicar no grupo dos meus amigos”. Publica mesmo, porque a cidade precisa ver. Precisa entender que, enquanto quem entrega resultado é dispensado por mensagem, a conta segue chegando para quem não tem opção de silenciar o telefone. Gestão pública não é aplicativo. E liderança não se faz com emoji, se faz com responsabilidade. Hoje, infelizmente, faltou tudo isso no Zap que acordou Socorro.




