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24 horas: entre carreatas, propostas e candidatos em modo silencioso

As últimas 24 horas deixaram mais claro o desenho inicial da disputa pelo Governo de Sergipe. Os seis candidatos estão oficialmente no jogo, mas nem todos parecem estar jogando a mesma partida. Fábio Mitidieri ocupou ruas, agenda institucional e noticiário; Valmir de Francisquinho seguiu apostando no contato político direto e na mobilização de sua base; Ricardo Marques tentou empurrar a discussão para propostas econômicas; enquanto Emanuel Cacho, Dr. Helton Monteiro e Taty Cristina tiveram presença muito mais discreta na cobertura política estadual. A campanha tem dessas coisas: a Justiça Eleitoral entrega seis nomes na urna, mas o noticiário não distribui seis microfones do mesmo tamanho. Até agora, há candidatos correndo uma maratona, outros caminhando e alguns que parecem ainda procurando onde deixaram o tênis.

Fábio Mitidieri viveu uma terça feira de muito movimento e também de um incômodo considerável. O governador iniciou sua sequência de carreatas em Aracaju pelo Santos Dumont, apresentando resultados administrativos e novas propostas como pilares da campanha, além de aparecer em movimentação política em Itaporanga d’Ajuda ao lado de aliados. Foi um dia de demonstração de estrutura, organização e capacidade de produzir fatos políticos, característica natural de quem disputa a reeleição sentado na cadeira mais importante do Estado. Mas, quando parecia que a noite terminaria apenas com buzina, bandeira e fotografia, chegou a Justiça Eleitoral para diminuir o volume do som. O Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe condenou o diretório estadual do PSD, presidido por Fábio, por irregularidades na propaganda partidária, determinando a perda de 16 minutos e 30 segundos após o trânsito em julgado. Assim, Fábio terminou o dia mostrando força nas ruas e recebendo uma notícia indigesta nos tribunais. Política é assim: às vezes o candidato sai de uma carreata e encontra um acórdão estacionado na garagem.

Valmir de Francisquinho atravessou as últimas 24 horas de maneira diferente, sem precisar transformar cada movimento em espetáculo de grande produção. Sua presença continuou ligada à aproximação com lideranças, candidatos proporcionais e apoiadores, como ficou demonstrado também na participação na inauguração do comitê de Susane Vidal. É uma estratégia menos dependente do aparato institucional e mais apoiada naquela velha matéria prima da política que nenhuma agência de publicidade conseguiu substituir até hoje: gente conversando com gente. Valmir parece compreender que eleição estadual não se ganha apenas diante das câmeras, mas também acumulando pequenos compromissos, apertos de mão e redes políticas que depois aparecem nas urnas. Isso não significa que esteja livre de dificuldades, nem que sua campanha tenha produzido o maior fato das últimas horas, mas revela uma candidatura que permanece mobilizada e competitiva enquanto outros ainda procuram espaço para entrar na conversa. Na política sergipana, onde às vezes há mais coordenador do que eleitor numa reunião, conseguir colocar gente espontaneamente em movimento continua sendo um ativo que merece atenção.

Ricardo Marques procurou fazer algo politicamente necessário: trocar a pauta da turbulência interna pela pauta das propostas. Visitou a Fecomércio e apresentou pontos do plano de governo voltados à geração de emprego e renda, tentando deslocar os holofotes para economia, desenvolvimento e setor produtivo. É uma movimentação inteligente para uma candidatura que precisa ampliar seu espaço além do eleitorado já identificado com o PL e transformar identidade partidária em projeto estadual. Ricardo ainda carrega, contudo, os efeitos políticos das recentes dificuldades de composição de sua chapa e precisa demonstrar que sua candidatura consegue produzir uma narrativa própria, sem depender exclusivamente do barulho nacional em torno do partido. Nas últimas horas, pelo menos colocou proposta sobre a mesa, o que em campanha já representa avanço considerável, porque há épocas eleitorais em que alguns candidatos passam semanas oferecendo apenas fotografia, slogan e promessa de que o plano de governo está chegando. Ricardo tentou mostrar que o dele chegou. Agora falta convencer o eleitor a abrir o pacote.

Emanuel Cacho, Dr. Helton Monteiro e Taty Cristina completam a fotografia dessas 24 horas com um problema comum: pouca exposição pública comparada aos três nomes que hoje concentram a maior parte da cobertura. Não apareceu, na varredura dos principais veículos consultados neste período, agenda de repercussão estadual desses três candidatos equivalente às carreatas de Fábio, à movimentação política de Valmir ou à agenda econômica de Ricardo. Isso não significa ausência absoluta de campanha, muito menos inexistência de propostas, mas revela dificuldade em transformar atividade eleitoral em fato político percebido pelo eleitorado. Emanuel precisa fazer o PSDB voltar a produzir presença estadual; Helton possui um campo ideológico próprio que pode diferenciá-lo, mas precisa convertê-lo em visibilidade; e Taty Cristina dispõe inclusive do diferencial de ser a única mulher entre os candidatos ao Governo, ativo político que ainda pode ser muito mais explorado. A campanha começou para todos no calendário, mas o relógio parece correr em velocidades diferentes. Fábio tem máquina e agenda, Valmir mantém musculatura de rua, Ricardo tenta construir uma terceira avenida e os três menores precisam rapidamente provar que não entraram na eleição apenas para aparecer na fotografia oficial da urna. Esse é, sem torcida e sem maquiagem, o retrato das últimas 24 horas da corrida pelo Governo de Sergipe.

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