O primeiro debate dos candidatos ao Senado promovido pelo Jornal da Fan começou com cara de encontro democrático e rapidamente ganhou atmosfera de ringue político. Estavam Alessandro Vieira, Rodrigo Valadares, Iran Barbosa e Coronel Rocha. Os outros sete candidatos homologados não estavam no estúdio: Rogério Carvalho, André Moura, André David, Eduardo Amorim, Edvaldo Nogueira, Paulinho da União Tur e Renatinha. E, olhando com alguma frieza para o que aconteceu depois, talvez os ausentes tenham escapado de uma verdadeira guerra verbal. Houve acusação, provocação, ironia, resposta atravessada e direito de resposta. Em certos momentos faltou apenas o locutor anunciar: “senhores candidatos, protejam o fígado e não baixem a guarda”.
Rodrigo entrou no debate como quem chega à reunião de condomínio já sabendo com quem vai discutir. Mirou Alessandro e vieram “isentão”, “vaselina”, acusações de conveniência política e questionamentos pesados sobre segurança pública e relações políticas. Alessandro não pediu gelo para colocar na pancada. Devolveu dizendo que fazia uma coisa que Rodrigo não conheceria, “trabalhar”, cobrou produtividade parlamentar e resumiu parte de sua crítica em “só papo furado”. Foi aí que o debate deixou de ser apenas Senado e virou quase stand up político. Um dizia que o outro não tinha lado, o outro dizia que o adversário não tinha trabalho. Se colocassem uma campainha no meio da mesa, alguém certamente teria apertado pedindo intervalo para o café.
Só que a coisa ficou mais séria quando as provocações passaram para acusações. Rodrigo atingiu Alessandro com questionamentos sobre o PL Antifacção e uma suposta compra de apoio de prefeitos, acusações negadas pelo senador e que terminaram em direito de resposta. Alessandro reagiu falando em mentira, ataque e ofensa. Ou seja, já não era apenas um candidato perguntando ao outro o que faria por Sergipe. Era um tentando desmontar a reputação política do outro enquanto o adversário tentava devolver a encomenda pelo Sedex. E foi essa temperatura que marcou boa parte do encontro: menos “qual é sua proposta para o Senado?” e mais “agora explique isso aqui diante das câmeras”.
E aí entra a ironia das cadeiras vazias. André Moura, Eduardo Amorim, André David, Rogério Carvalho, Edvaldo Nogueira e os demais ausentes perderam o direito de responder imediatamente, mas também não precisaram entrar naquele tiroteio retórico. André David, mesmo longe do microfone, recebeu uma das frases mais barulhentas da manhã quando Coronel Rocha perguntou se sua valentia era apenas “arroto de internet”. Iran Barbosa também dirigiu questionamentos a André sobre questões relacionadas ao uso de recursos públicos na administração municipal de Aracaju. Alessandro escolheu Rogério Carvalho e levantou Orçamento Secreto, CPI da Toga e suplência. Portanto, ausente não significou esquecido. A diferença é que a pancada chegava e não havia ninguém na cadeira para devolver.
Por isso, existe uma leitura menos apressada sobre quem decidiu não comparecer. Não é possível afirmar que André Moura, Eduardo Amorim, André David ou qualquer outro tenha faltado porque previu a temperatura que o programa alcançaria. Mas, visto depois do acontecido, a ausência acabou poupando esses candidatos de participar pessoalmente de uma sucessão de acusações e contradições que, em determinados momentos, quase engoliu a discussão de propostas. Política também é cálculo de exposição. Às vezes entrar no ringue dá manchete. Às vezes ficar fora impede que uma frase de dez segundos vire um vídeo de dez milhões de compartilhamentos. O preço da ausência é não responder; o benefício eventual é não sair do estúdio carregando uma coleção de cortes explosivos no celular do eleitor.
No final, o sergipano ganhou um debate que produziu um verdadeiro dicionário eleitoral de 2026: “vaselina”, “papo furado”, “arroto de internet”, acusações de corrupção, questionamentos sobre facção, produtividade parlamentar, orçamento e passado político. Rodrigo e Alessandro protagonizaram boa parte dos confrontos registrados, Iran tentou puxar o debate para orçamento, direitos e instituições, e Coronel Rocha preferiu uma linguagem de enfrentamento mais direta. Os ausentes, por sua vez, assistiram de fora a uma guerra na qual até quem não estava presente virou alvo. Talvez a grande lição daquela manhã seja simples: debate serve para apresentar ideias, mas quando a temperatura sobe demais, proposta vira figurante e a acusação pega o papel principal. Se os próximos forem nesse ritmo, a produção não precisará apenas de cronômetro. Será prudente deixar água, café e um extintor ao lado do mediador.




