PUBLICIDADE

Natanzinho, o deboche de Itabaiana que ganhou o Brasil

Natanzinho Lima ganhou o Brasil, mas Itabaiana continua morando dentro dele. Quando ouviu o jornalista Marcelo Castro falar em “show privado”, “festa privada” e citar cachê de seiscentos mil reais, pegou o celular e respondeu do seu jeito. Sem nota oficial. Sem discurso ensaiado. Primeiro confessou que já tinha gravado dois vídeos e apagado porque precisava “ser educado”.Depois disparou: “Show privado, festa privada. Onde é que foi privado? Me mostra aí onde é que eu cobrei um real do ingresso.” E completou, já no idioma oficial da feira de Itabaiana: “Rapaz, é procurar o que conversar. Tu é bestaiado, hein?” Quem é sergipano ouviu e reconheceu na hora a origem daquele deboche.

Só que, atrás da molecagem, veio a explicação. Natanzinho disse que fazer o projeto na favela era um desejo pessoal. “Eu tô fazendo é porque eu quis.” Segundo ele, tudo foi gratuito e bancado do próprio bolso. “Me prova aí o que eu peguei dinheiro de alguém.” E explicou o que enxergou ali: gente que talvez não pudesse pagar um ingresso assistindo ao show, vendedor de cerveja trabalhando, vendedor de chapéu faturando, comércio girando e uma comunidade tantas vezes enxergada pelo preconceito sendo vista pela festa. “Eu faço, eu não posto não”, disse. É uma frase pequena, mas que revela muito da personalidade que Natanzinho procura mostrar.

Marcelo Castro, então, acabou entrando no próprio espetáculo. Natanzinho brincou: “Vou botar seu arroba ali de novo. Siga aí esse cara que tá precisando de uma mídiazinha. Ai, cachorro.” E a história ficou tão engraçada que até uma música cabe como trilha sonora: “Tenho inveja do seu namorado”. Não se está afirmando que Marcelo tenha inveja de Natanzinho, claro. Mas a letra serve perfeitamente ao deboche da cena. Troque o namorado pelo sucesso e pronto: Natanzinho no palco, multidão cantando, e Marcelo ganhando alguns minutos de fama justamente porque resolveu falar dele. O cantor ainda provocou: “O que foi que tu fez pelo povo, filho de Deus? Me diga.”

E o melhor veio no final. Quando percebeu que estava esquentando, Natanzinho freou sozinho: “Oxe, meu Deus, me perdoe. Deus te abençoe, meu filho. Um grande abraço.” É aí que aparece a leveza que talvez explique seu carisma. Ele reclama, dá a lapada, ri, abençoa e segue. Não transforma tudo em guerra. É Itabaiana quase inteira condensada num vídeo: o “rapaz”, o “oxe”, o “bestaiado”, a provocação e, cinco segundos depois, a paz feita no balcão. Marcelo pode perguntar, investigar e cobrar, porque esse é o papel do jornalista. Natanzinho pode responder e exigir prova. E respondeu como sempre viveu: sem perder o sotaque, a personalidade nem o sorriso. Marcelo falou. Natanzinho rebateu. E Sergipe, no canto da sala, só conseguiu dizer: “Ai, cachorro!”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *