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A Bala cantou, o Saruê sentiu e o Guaximim pensou no Baixo São Francisco 

No Baixo São Francisco, a pré-campanha resolveu antecipar o São João e já acendeu a fogueira política com direito a trio elétrico, sanfona desafinada e muito candidato achando que é maestro. De um lado, Carlinhos de Brejo Grande, o famoso Saruê, personagem que acredita que entende de tudo um pouco e de política mais do que todo mundo junto. Do outro, surge com força Antônio de Juca de Bala, que vem carregando o sobrenome e, pelo visto, também a mira calibrada. E no meio dessa disputa, como quem não quer nada, aparece Cristiano Cavalcante, o Guaximim, quieto, estratégico e comendo pelas beiradas.

Carlinhos, o Saruê, é aquele tipo de político que acorda achando que poderia dar aula em Harvard e terminar o dia explicando física quântica no bar da esquina. Ele sabe de tudo, entende de tudo, opina sobre tudo e, principalmente, não ouve ninguém. E é justamente aí que começa o problema. Porque política não é prova de quem sabe mais, é jogo de quem lê melhor o tabuleiro. E enquanto ele gastava energia tentando provar que era o mais inteligente da sala, foi perdendo espaço, apoio e liderança. Quando viu, já tinha gente levantando da mesa e sentando do outro lado.

E aí entra Antônio de Juca de Bala, que não chegou fazendo barulho, chegou fazendo conta. Filho de quem sempre quis chegar lá, ele aprendeu cedo que política não é só discurso, é articulação e precisão. E o apelido não é à toa. A bala não faz curva, vai direto no alvo. E o alvo, nesse momento, atende pelo nome de Saruê. Lideranças começaram a migrar, apoios começaram a escorrer e o que antes era domínio virou disputa. Antônio de Juca de Bala, aprendeu com seu tutor Juca de Bala algo básico que muita gente esquece, política não se ganha no grito, se ganha na soma.

Como se não bastasse, Cristiano Cavalcante, o Guaximim, segue no estilo alagoano sergipano, quieto, observando, juntando força sem fazer alarde. Enquanto um fala demais e o outro atira certeiro, ele trabalha no silêncio. E política adora esse tipo de jogador. Porque quando todo mundo está olhando para o barulho, o resultado nasce no silêncio. E nessa divisão de votos no Baixo São Francisco, quem souber dividir melhor o território leva vantagem. Quem errar na conta, dança.

Mas o erro mais curioso do Saruê talvez tenha sido escolher o palco errado para se apresentar. Saiu de ambientes onde nadava de braçada e entrou num campo minado chamado PSD, onde só sobrevive quem tem voto de sobra. Lá não tem espaço para confiança excessiva nem para cálculo errado. É jogo pesado, com nomes fortes, voto disputado e margem curta. E aí não adianta ser o mais falante, precisa ser o mais votado. E essa matemática não aceita argumento, só aceita número.

No fim das contas, a política no Baixo São Francisco começou mais cedo e começou animada. Tem Bala voando, tem Saruê correndo e tem Guaximim esperando o momento certo de aparecer. O eleitor, claro, assiste tudo como quem vê uma comédia bem produzida, rindo, analisando e, no final, decidindo quem merece continuar no palco. Porque uma coisa é certa, nessa eleição, quem achar que sabe demais pode acabar aprendendo da pior forma. Na política, quem subestima o adversário vira personagem. E personagem, meu amigo, normalmente não ganha eleição, vira história para contar depois.

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