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A CAMINHADA É DE LULA. A COBRANÇA É DE SERGIPE.

Ontem, Fábio Mitidieri trocou as cobranças do gabinete pelo conforto político de uma caminhada em apoio a Lula no Centro de Aracaju. Cercado de Rogério Carvalho, Jeferson Andrade, Edvaldo Nogueira e Jackson Barreto, o governador desfilou entre aliados de ocasião e adversários de ontem. A política sergipana tem desses milagres: basta um palanque conveniente para transformar antigas rusgas em abraços cinematográficos. Enquanto os líderes disputavam o melhor ângulo para a fotografia, a cidade continuava tendo problemas que não cabem no enquadramento de campanha.

O Centro de Aracaju, convém lembrar ao governador, não é quintal eleitoral de ninguém. Ali existem comerciantes, trabalhadores, consumidores e motoristas cuja rotina não pode ser tratada como detalhe de produção. Quais ruas foram interditadas, que medidas reduziram os transtornos e quem respondeu pela limpeza depois do cortejo? Houve resíduos ou prejuízos ao comércio? É preciso apurar, ouvir os lojistas e divulgar os registros da SMTT e da Emsurb, não inventar queixas. O entusiasmo da militância merece respeito; o direito de quem precisa trabalhar também. E a cidade não pode ficar com a obrigação de varrer o que a propaganda prefere deixar fora da foto.

Não menos importante é a contabilidade da festa. Quem bancou transporte, materiais, estrutura e mobilização? Existiu participação de servidores, veículos ou recursos públicos? Não há prova apresentada aqui de irregularidade, e é justamente por isso que se exigem documentos, não fofocas. Mitidieri também vende a proximidade com Brasília como passaporte para o VLT, a Adutora do Leite e outros investimentos. Pois mostre os projetos, os contratos, os valores empenhados, os pagamentos e os prazos cumpridos. Anunciar obra é fácil; difícil é explicar por que o eleitor ainda precisa atravessar a distância entre o discurso e a entrega. Em campanha, até maquete parece inauguração.

Fábio Mitidieri tem direito de escolher candidato. Não tem direito a escolher quais perguntas a sociedade pode fazer. O governador que encontra tempo para percorrer as ruas em defesa de Lula precisa encontrar a mesma disposição para prestar contas dos serviços, das obras e dos impactos de seus atos políticos. Democracia não é autorização para confundir Estado, governo e campanha, muito menos licença para transformar o cidadão em figurante. O desfile passou, o aplauso cessou e a eleição se aproxima. A cobrança, porém, não termina na porta dos mercados. Afinal, fotografia de multidão não tapa buraco, não melhora mobilidade e não paga a conta de quem trabalha.

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