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Blind Date Notícias

Por Fausto Leite

Valmir abre 15 pontos e o governo já procura a saída de emergência. A primeira pesquisa do INOR realizada depois do início oficial da campanha caiu no Palácio como panela de pressão sem válvula. Valmir de Francisquinho aparece com 46,73% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Fábio Mitidieri tem 31,59%. A diferença é de impressionantes 15,14 pontos percentuais, muito além da margem de erro de três pontos. Na espontânea, onde o eleitor responde sem receber a lista dos candidatos, Valmir também domina: 39,63% contra 25,23% de Fábio, vantagem de 14,40 pontos. O levantamento ouviu 1.070 eleitores em 31 municípios, entre 13 e 16 de agosto, e está registrado no TSE sob o número SE 04930/2026. Não é mais uma vantagem para ser explicada com conversa de assessor. É um clarão vermelho piscando na janela do governo.  E há um detalhe capaz de deixar governador, secretários e aliados correndo pela casa sem saber onde guardaram o extintor: considerando apenas as intenções atribuídas aos candidatos, Valmir alcança aproximadamente 52,6% dos votos válidos. Isso não significa eleição decidida, porque pesquisa é fotografia e ainda há indecisos, campanha e muita estrada pela frente. Mas significa que a hipótese de vitória no primeiro turno já deixou de ser conversa animada de comitê para virar risco matemático ao governismo. Enquanto o Palácio distribui otimismo como se fosse cargo comissionado, Valmir passa recibo, aumenta a liderança e ameaça encerrar a festa antes de servirem o segundo prato. Francisquinho, tratado durante meses como candidato que precisava provar força, agora aparece na porta do primeiro turno perguntando ao governo se é para entrar ou se já pode mandar buscar a faixa.

Fábio tenta ser Lula, mas Rogério e André ainda não aprenderam a sorrir juntos. Fábio Mitidieri tenta vestir o figurino de Lula e organizar uma grande frente política, mas ainda não conseguiu convencer Rogério Carvalho de que André Moura também faz parte da fotografia oficial. O retrato dos dois ficou bonito, alinhado e quase comovente, uma verdadeira propaganda de harmonia vendida em alta resolução. O problema começa quando a câmera é desligada: nos bastidores, a convivência parece ter a temperatura de um café esquecido na geladeira. André, experiente, articulado e dono de uma musculatura municipal que ninguém sensato despreza, sorri porque conhece o poder de uma boa imagem. Rogério sorri porque percebeu que fugir da foto ficaria ainda mais feio. Fábio, no centro da operação, tenta transformar desconfiança em aliança e constrangimento em unidade. Lula costuma juntar adversários numa mesa; Fábio ainda está na fase de pedir que Rogério e André não disputem a cadeira antes do jantar.

Ricardo chama Flávio, mas o eleitor sergipano conhece até o garçom do candidato. O PL tenta transformar Ricardo Marques no palanque oficial de Flávio Bolsonaro em Sergipe, como se bastasse importar o sobrenome para desembarcar junto um contêiner de votos. O problema é que Sergipe cabe numa conversa de café: o eleitor encontra político no shopping, na praia, na feira e, quando chega em casa, já sabe até quem pagou a conta. Aqui, bolsonarista acompanha política e não compra candidato apenas porque veio com o adesivo da família Bolsonaro. Para completar, Ricardo apresenta como vice Érico Menezes, empresário e ex-vereador de Lagarto que obteve 684 votos quando tentou a reeleição em 2016 e ficou sem mandato. Nacionalizar a campanha pode render fotografia e postagem, mas não fabrica raiz estadual. Ricardo chama Flávio para empurrar o palanque, porém o eleitor já percebeu que o problema talvez não seja o empurrador. É o carro que ainda não pegou.

André Moura engata o cabo e leva Fábio a reboque. André Moura avança pelo interior colecionando apoios em Graccho Cardoso, Feira Nova e onde mais houver prefeito, liderança e café quente. Enquanto alguns candidatos discursam para o algoritmo, André conversa com quem conhece votos pelo nome, sobrenome e seção eleitoral. Sua candidatura ao Senado cresce com a velha combinação de articulação, recursos e presença municipal. E não está puxando apenas o próprio palanque. A campanha de Fábio Mitidieri ainda segue andando porque André engatou o cabo e a conduz a reboque. Se ele soltar a corda, o governador talvez descubra que o motor governista estava fazendo mais barulho do que força.

Alessandro elogia Gustinho e Lagarto ganha um terceiro senador. Alessandro Vieira é o candidato apoiado pelo prefeito Sérgio Reis, adversário histórico de Gustinho Ribeiro em Lagarto. Mas, ao falar sobre o Hospital de Amor, Alessandro elogiou justamente a participação de Gustinho no projeto. A causa é nobre e o reconhecimento é justo, porém a política lagartense virou um legítimo Bole Bole x Saramandaia: o aliado apoia, o candidato agradece e o adversário acaba elogiado. Sérgio talvez tenha ligado a televisão imaginando ver seu senador e encontrou Gustinho ganhando mais um cabo eleitoral de cortesia. Gustinho já conta com Edvaldo Nogueira e André Moura em seu campo político; pelo discurso carinhoso, parece ter conquistado o terceiro senador sem precisar fazer convenção. Com Alessandro, o eleitor precisa usar filtro: a fala começa no palanque de Sérgio Reis, faz escala no Hospital de Amor e desembarca sorridente no colo de Gustinho.

Eduardo Amorim não mostra currículo, mostra prontuário de serviços. Na Jovem Pan, Eduardo Amorim lembrou que participou da implantação do SAMU em todos os municípios sergipanos quando comandou a Secretaria da Saúde e prometeu lutar pela renovação das ambulâncias, novas bases e mais profissionais. Enquanto alguns candidatos ainda procuram uma obra para chamar de sua, Eduardo pode apontar para qualquer ambulância passando e dizer: ajudei a colocar isso na rua. 

Eduardo Amorim não mostra currículo, mostra prontuário de serviços II. Eduardo Amorim entendeu que currículo guardado na gaveta vira peça de museu e colocou a campanha na rua, no rádio e nas redes sociais. Passou por Porto da Folha, ouviu reclamações sobre falta de água e atendimento de urgência, participou de atos em Aracaju e Nossa Senhora do Socorro e vem usando as plataformas digitais para prestar contas sem deixar o eleitor dormir no primeiro parágrafo. Além da saúde, fala em educação, segurança, rodovias e infraestrutura para os 75 municípios. Em uma eleição cheia de candidatos estreando promessas, Eduardo apresenta experiência com nota fiscal política. As redes ajudam porque lembram diariamente que ele não está pedindo ao eleitor uma aventura. Está solicitando uma segunda consulta.  

Patrão pode mandar no expediente, mas não vai bater o ponto na urna. O TRE de Sergipe e o Ministério Público do Trabalho assinam, na terça feira, 25, um pacto pela democracia, pela liberdade do voto e contra o assédio eleitoral. O recado é dirigido ao empresário, prefeito, secretário ou chefe que confunde carteira assinada com procuração política e acha que salário dá direito a escolher o voto do funcionário. A preocupação não é exagerada: nas eleições de 2022 e 2024, o MPT recebeu 4.273 denúncias de assédio eleitoral no país. Em Sergipe, onde todo mundo conhece o patrão, o candidato e até o primo que marcou a reunião, qualquer ameaça, promessa de vantagem ou pressão pode chegar rapidamente às autoridades. O voto é secreto, mas o constrangimento costuma ser falante, deixa mensagem no WhatsApp e ainda posa para fotografia. Desta vez, quem tentar transformar repartição ou empresa em comitê eleitoral poderá descobrir que pressionar empregado não rende voto. Rende denúncia, investigação e uma campanha inteiramente grátis no noticiário policial e jurídico.

A culpa agora é da imprensa, porque oito relatos cabem mal debaixo do tapete. A defesa do advogado preso preventivamente, investigado por supostos crimes sexuais contra oito crianças e adolescentes, reclamou da exposição na mídia. É mais fácil culpar a lâmpada do que encarar o que a luz revelou. A imprensa não decretou a prisão: a medida veio da Justiça, após atuação da Polícia Civil e parecer do Ministério Público. Danniel Costa garantiu as prerrogativas, enquanto a OAB Sergipe abriu processo disciplinar e suspendeu cautelarmente o investigado. A presunção de inocência e o sigilo das vítimas devem ser preservados. Mas, se os crimes forem comprovados, o caso exigirá punição severa, não silêncio conveniente.

A água não chega, mas a conta conhece o endereço. Moradores de Nossa Senhora do Socorro bloquearam mais uma vez a BR porque, depois da concessão à Iguá, abrir a torneira virou exercício de fé. O Governo do Estado vendeu a promessa de eficiência, mas entregou ao povo o balde, o calor e a paciência parcelada. Socorro continua sem água, assim como parte de outros municípios sergipanos, enquanto as contas chegam pontualmente e cada vez mais caras. A água se perde no caminho, mas o boleto parece usar GPS de última geração. Iguá e Deso trocam explicações, e o cidadão troca o chuveiro pela garrafa. Quando é preciso queimar pneu para conseguir água, não existe modernização: existe fracasso público com tarifa privada.

Importunação tira Telha do sério e causa frenesi. Uma cantora denunciou ter sido vítima de importunação sexual enquanto se apresentava em Telha, e o episódio arrancou a pequena cidade de qualquer aparência de sossego. Tentaram “tirar a telha” da artista, mas acabaram destelhando a tranquilidade de todo o município. A brincadeira termina aí, porque mulher no palco está trabalhando, não oferecendo licença para abuso. O caso precisa ser investigado com rigor e servir de alerta às prefeituras: contratar a atração sem garantir segurança é organizar a festa e abandonar a artista à própria sorte. Em Telha, o show acabou, mas a denúncia deixou um barulho que nenhum amplificador consegue abafar.

TCE julga 29 processos e a caneta dos conselheiros trabalha sem férias. O Pleno do Tribunal de Contas analisou 29 processos envolvendo contas públicas, atos administrativos e fiscalização de gestores. O volume de julgamentos e de multas mostra que os conselheiros estão trabalhando, enquanto muito gestor já começa a olhar para o Diário Oficial como quem espera o resultado de um exame. Há decisões com multas, glosas e determinações administrativas, deixando claro que dinheiro público não vem com a opção “gaste agora e explique nunca”. Em plena campanha, cada processo julgado pode virar correção administrativa, prejuízo no bolso e munição no palanque. No TCE, a sessão termina. Para alguns gestores, a dor de cabeça está apenas começando.

Itabaiana troca o caminhão de tradição por um caminhão de cultura. O evento é o 5º Festival Internacional de Cinema de Itabaiana, idealizado pelo cineasta Andrei Ferreira e realizado de forma independente. A edição deve movimentar cerca de R$ 500 mil e gerar, direta e indiretamente, aproximadamente 175 postos de trabalho em produção, comunicação, transporte, alimentação, segurança e serviços técnicos. O mérito direto do festival é de Andrei e de sua equipe, mas o ambiente cultural da cidade também merece aplausos. Sob a condução do secretário Antônio Samarone, Itabaiana mantém feirinhas culturais, concursos, debates e ações de valorização da memória local. Somando cinema, feiras científicas e eventos literários, a cidade serrana está dando uma aula de cultura a Sergipe. Enquanto alguns municípios ainda pensam que cultura é apenas contratar cantor e montar palco, Itabaiana descobriu algo revolucionário: livro, ciência e cinema também enchem a cidade, movimentam dinheiro e não exigem abadá.

Lula liga a máquina, mas Flávio começa a ouvir o barulho da virada. O Datafolha mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%, uma diferença de apenas seis pontos depois de quatro anos de máquina federal, ministérios, programas, viagens e cerimônias. O governo entrega obras, anuncia investimentos e distribui discursos, mas parte da classe média e dos grandes centros continua com o humor de quem recebeu boleto sem ter comprado nada. Flávio cresce e, se mantiver o ritmo, pode transformar o segundo turno em detalhe ou até ameaçar uma vitória antecipada, embora ainda esteja distante da maioria necessária. É o mesmo sinal amarelo que Valmir de Francisquinho acendeu em Sergipe, onde aparece com 46,73% e já flerta matematicamente com o primeiro turno. Lula tem o Palácio, a máquina e a caneta. Flávio e Valmir parecem ter encontrado algo que o 

Moraes declara guerra aos rostos de mentira, mas quer segurar sozinho o espelho da verdade. O “ministrão” Alexandre de Moraes chamou a inteligência artificial de “anabolizante da desinformação” e avisou que candidato que usar deepfake poderá perder o registro ou o mandato. Combater vídeos e áudios falsificados é necessário, porque eleição não pode virar concurso de ventríloquo digital. O problema aparece quando Moraes apresenta a cassação como resposta quase automática, como se entre a mentira e a perda do mandato não existissem prova, autoria, gravidade, contraditório e proporcionalidade. Deepfake não pode decidir eleição, mas também não se deve entregar a um magistrado o controle remoto absoluto da verdade. O Brasil precisa conter a fraude tecnológica sem criar o “deepfake jurídico”, aquele em que cautela parece censura, interpretação vira certeza e uma caneta passa a falar por milhões de eleitores.

Brasileiro não está apenas levando dólar: está levando até o CPF para passear. As declarações de saída definitiva do país saltaram de 25.797, em 2021, para 46.603 em 2026, crescimento superior a 80%. Isso não significa que todos fecharam a mala e abandonaram o Brasil, mas revela que muita gente decidiu transferir oficialmente sua residência fiscal para outro endereço. Traduzindo para o sergipano: enquanto uns procuram apartamento na Atalaia, outros já estão perguntando se Portugal aceita Pix. Especialistas apontam diversificação patrimonial, planejamento tributário e medo do chamado risco Brasil. O dinheiro, que não é patriota nem participa de carreata, corre para onde encontra segurança. Quando até o contribuinte pede “saída definitiva”, o governo deveria parar de culpar o aeroporto e perguntar por que tanta gente está procurando o portão de embarque.

STF retomará julgamento sobre regras da Lei da Ficha Limpa. Gilmar Mendes liberou para julgamento uma ação envolvendo dispositivos da Lei da Ficha Limpa. Qualquer alteração na interpretação das regras poderá atingir candidaturas, contagem dos períodos de inelegibilidade e disputas ainda pendentes. Em pleno processo eleitoral, é uma decisão com potencial para modificar chapas em vários estados

Caso Lulinha permanece no centro da discussão judicial. O ministro André Mendonça deverá utilizar precedentes do STF para justificar a manutenção, na Corte, de procedimentos envolvendo o filho do presidente. A investigação menciona suposta comunhão de interesses econômicos com um lobista, enquanto a defesa sustenta motivação política. Por atingir familiar direto de Lula em plena eleição, qualquer movimentação processual ganha imediata repercussão nacional. 

Festival reúne a geração do rock brasileiro dos anos 1980. O C6 no Rock reúne, em São Paulo, nomes como Paralamas do Sucesso, Titãs, Ira!, Blitz, Marina Lima, Paulo Ricardo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. A programação celebra discos lançados em 1986 e presta homenagens a Rita Lee e Cazuza. É uma das pautas culturais nacionais de maior circulação do fim de semana. 

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