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R$ 1,1 MILHÃO: CADÊ O DESTINO?

O Governo de Sergipe anunciou R$ 1.121.598,17 para atividades artístico-culturais em 25 escolas estaduais de tempo integral. O edital prevê selecionar organizações da sociedade civil para oficinas de música, audiovisual, artes visuais, teatro e literatura, com inscrições prorrogadas até 23 de outubro de 2026. Investir em cultura na educação é legítimo e necessário. O anúncio, porém, não responde à pergunta principal: como o Estado demonstrará que o dinheiro previsto chegou às escolas e se transformou em atividades para os estudantes? Propaganda institucional não substitui execução comprovada.

A sucessão de atos administrativos exige explicações claras. O governo divulgou inicialmente a distribuição das vagas por área cultural e, posteriormente, instituiu comissões de avaliação e recursos. Após a prorrogação, a página pública do Mapa Cultural consultada ainda indicava o prazo antigo, de 3 de agosto. Isso, isoladamente, não comprova irregularidade, mas revela uma inconsistência informacional que merece correção. Qual cronograma passou a valer? Quantas organizações se inscreveram? Quem foi habilitado, com quais notas e justificativas? Quem deseja disputar recursos públicos precisa de regras acessíveis e atualizadas.

O ponto central é o dinheiro. R$ 1,1 milhão corresponde ao valor previsto no edital, não a repasses ou despesas já realizados. Cabe à Secretaria de Cultura, à Funcap e à Secretaria de Educação divulgar a relação das entidades selecionadas, os valores de cada parceria, as escolas atendidas, os pagamentos e os documentos de fiscalização. Também precisam esclarecer quem acompanhará as oficinas, a frequência dos profissionais, a participação dos alunos e os resultados pedagógicos. Fotografia de apresentação pode ilustrar uma ação. Não serve, sozinha, como prestação de contas.

O investimento cultural merece apoio pelo valor que representa para os estudantes. Essa importância torna a transparência ainda mais indispensável. Nos documentos examinados, não foi identificada prova de desvio ou gasto irregular, tampouco confirmação de desembolsos específicos. A cobrança, portanto, é objetiva: publicar o cronograma atualizado, os resultados da seleção e a execução financeira, etapa por etapa. O dinheiro foi anunciado. A sociedade sergipana tem o direito de verificar quem receberá os recursos, o que será entregue e como isso será comprovado.

Feira eleitoral. O delegado Fábio Allan relatou manifestações espontâneas de apoio a uma possível candidatura à Prefeitura de Itabaiana em 2028, durante visitas às feiras e conversas com moradores. Por enquanto, não anunciou entrada na disputa. O prestígio policial pode abrir portas, mas urna não é boletim de ocorrência: precisa de voto, articulação e muito sola de sapato. Na cidade serrana, até banca de verdura vira termômetro político.

Lagarto faz contas. Sérgio Reis usou a votação do irmão, Fábio Reis, para rebater críticas da oposição em Lagarto. Segundo os números apresentados, o deputado somou 26.877 votos no município, contra 10.503 de Gustinho Ribeiro. Hilda Ribeiro também mostrou força na disputa estadual. A família comemora o placar, mas a população quer conferir outro resultado: obra entregue, serviço funcionando e promessa cumprida. Urna não substitui prestação de contas.

Debate ou empurrão? Um vereador de São Miguel do Aleixo denunciou ter sofrido agressão de um colega na Câmara Municipal. As circunstâncias e a versão do acusado ainda precisam ser esclarecidas. Se confirmada, a violência ultrapassa qualquer divergência partidária. Vereador foi eleito para discutir os problemas da cidade, não para testar modalidades de luta no Legislativo. O mandato exige argumento, não braço forte.

Socorro na reserva. O vereador referido como Charles Gel denunciou falta de veículos e combustível para vistorias de obras em Nossa Senhora do Socorro, além de atrasos que, segundo ele, prejudicam empreendimentos. A Prefeitura ainda precisa esclarecer as alegações. Uma cidade que deseja atrair investimento não pode depender do humor do tanque de gasolina. No papel, o desenvolvimento corre; na rua, a fiscalização estaria esperando carona.

L de domingo. Fábio Mitidieri votou no Colégio Dinâmico, no Salgado Filho, acompanhado de Érica Mitidieri, e fez o “L” diante das câmeras. No domingo, 25, o governador deixou sua preferência presidencial devidamente fotografada. Em Sergipe, onde até silêncio ganha interpretação política, o gesto economizou uma coletiva inteira. A mensagem coube numa mão.

Rogério na Estácio. Rogério Carvalho votou na Faculdade Estácio, em Aracaju, defendendo democracia, soberania e distribuição de renda. O senador apresentou a disputa como uma escolha entre projetos de país. Passada a votação, fica a cobrança por resultados concretos. Porque distribuição de riqueza precisa chegar ao bolso do sergipano, sem fazer escala permanente no discurso.

Emília marcou lado. Emília Corrêa votou na Escola Maple Bear, no bairro 13 de Julho, e reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro. Também defendeu respeito aos brasileiros, independentemente do vencedor. A prefeita combinou preferência partidária com uma obrigação institucional. Afinal, a eleição termina, mas a Prefeitura continua precisando conversar com Brasília. O ônibus da administração não pode parar no ponto da campanha.

Prioridades na mesa. Em sua passagem pelas urnas, Emília também apontou saúde, educação e assistência social como prioridades para o governo federal. É uma pauta que conversa diretamente com Aracaju. Agora, cabe acompanhar como essa defesa aparecerá na relação entre os governos. O cidadão já conhece o cardápio das necessidades; está esperando o prato chegar à mesa.

Alessandro reagiu. Alessandro Vieira criticou, em publicação no X repercutida pela imprensa, a prorrogação da votação determinada pelo STF. O senador previu questionamentos judiciais qualquer que fosse o vencedor. A manifestação registra sua avaliação política e jurídica, sem equivaler a uma decisão de tribunal. Pelo visto, os advogados tiveram menos esperança de descanso que os cabos eleitorais.

Vitória com cobrança. Depois da vitória de Lula, Mitidieri disse esperar avanços nas políticas públicas e defendeu que os sergipanos cobrem resultados. Também ressaltou sua participação na campanha presidencial. A cobrança está autorizada pelo próprio governador e merece ser guardada. Quando chegar a hora de perguntar por investimentos, ninguém poderá dizer que o eleitor apareceu sem convite.

Sergipe escolheu. Segundo os resultados reproduzidos na cobertura eleitoral, Lula terminou o segundo turno com 989.041 votos em Sergipe, equivalentes a 69,53% dos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 433.354 votos, ou 30,47%. A diferença foi de 555.687 votos. O placar estadual foi largo, embora cada voto continue pertencendo ao eleitor. Político que tentar registrar a votação em cartório como patrimônio pessoal vai encontrar dificuldade.

A conta inteira. Lula acrescentou 133.022 votos ao desempenho do primeiro turno em Sergipe e avançou 6,78 pontos percentuais. Flávio também cresceu em votos, somando mais 15.515, embora sua participação tenha recuado de 30,63% para 30,47%. Eis uma matemática que exige atenção: ganhar votos e perder percentual podem acontecer juntos. A calculadora não aceita grito de torcida.

Ônibus no tribunal. O TRE-SE determinou a recomposição da oferta de transporte intermunicipal após denúncias de dificuldades para chegar aos locais de votação. A ordem estabeleceu frota e frequência compatíveis com dias úteis, até as 20h. O episódio colocou o deslocamento no centro da eleição. A democracia pode ser uma ideia grandiosa, mas precisa caber num ônibus que efetivamente passe.

Gratuidade com ordem. A liminar dirigida à Coopertalse atendeu à Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Determinou transporte gratuito, sem distinção entre eleitores, e proibiu propaganda eleitoral nos veículos. O passageiro precisava chegar à urna, sem comprar passagem nem receber comício de brinde. Transporte público não deveria exigir despacho judicial para lembrar sua finalidade.

Cada qual no ponto. A Prefeitura de Aracaju afirmou ter garantido gratuidade e reforço no transporte urbano. Segundo a SMTT, as reclamações nas rodoviárias envolviam o serviço intermunicipal, fora de sua responsabilidade operacional. A distinção precisa ser respeitada na cobrança. Para quem estava esperando, entretanto, o organograma administrativo oferecia pouca sombra e nenhum assento rumo ao interior.

Relógio esticado. Após a decisão de Cristiano Zanin, o TRE-SE informou que as seções ainda em funcionamento depois das 17h deveriam continuar até as 19h. A orientação seguiu os esclarecimentos do STF e do TSE. A mudança exigiu atenção ao estágio de cada seção. O domingo ganhou uma prorrogação capaz de deixar muito torcedor de futebol com saudade de um regulamento simples.

Urna fechada. O TRE-SE esclareceu que seções com votação encerrada e boletim emitido não poderiam reabrir o sistema. Também descartou a coleta manual de votos. Portanto, a prorrogação não significava recomeçar os trabalhos em todas as escolas. Naquele momento, informação correta valia ouro. Áudio de grupo, por mais confiante que fosse o narrador, continuava sem força de decisão judicial.

Apuração em espera. Durante o impasse nacional sobre o horário, o TRE-SE comunicou a suspensão temporária da divulgação da totalização, por determinação da Presidência do TSE. Era uma pausa na divulgação, conforme a nota oficial. Para quem acompanhava os números, sobrou ansiedade. Em noite eleitoral, alguns minutos conseguem envelhecer um coordenador de campanha mais que quatro anos de oposição.

Sábado de fiscalização. No dia 24, o TRE-SE definiu as seções destinadas às auditorias, com participação de entidades fiscalizadoras e do Republicanos. Foram previstas 20 urnas para testes de integridade e três seções para autenticidade dos sistemas. Houve indicações e sorteio público. Enquanto a campanha disputava confiança no discurso, a fiscalização trabalhava com procedimento, registro e conferência. Menos palanque, mais método.

Contagem do zero. A Comissão Apuradora, presidida pela desembargadora Ana Bernadete Leite de Carvalho Andrade, reuniu-se no sábado para alinhar a totalização. Também realizou a emissão pública da zerésima do sistema, documento que demonstra a ausência de votos previamente computados. Antes de qualquer candidato aparecer na frente, a contagem precisava estar vazia. Até a ansiedade eleitoral teve de começar do zero.

Balanço parcial. O levantamento divulgado às 16h30 de domingo registrava 40 ocorrências relacionadas ao pleito em Sergipe e seis conduções à Polícia Federal. Era um retrato daquele horário, sem equivaler a condenações. A distinção importa tanto quanto o número. Na eleição, há quem queira apurar voto, ocorrência e sentença na mesma velocidade. A Justiça exige algumas etapas a mais.

Celular indiscreto. Em Socorro, houve registro de eleitor fotografando a urna; em São Cristóvão, outro caso envolveu uso dissimulado de celular na cabine. Na Barra, uma eleitora tentou entrar com um segundo aparelho após entregar o primeiro, segundo a SSP. O episódio acabou em condução à PF. A vontade de produzir conteúdo encontrou uma cabine onde o melhor registro continua sendo o voto sigiloso.

Santinho e alto-falante. Em Aracaju, a polícia conduziu um homem por distribuição de propaganda diante do Centro de Excelência Vitória do Santa Maria. Na Barra dos Coqueiros, houve condução por propaganda irregular com caixa de som. São registros sujeitos à apuração. O entusiasmo de campanha ultrapassou o limite permitido: teve santinho precisando de advogado e alto-falante ganhando uma audiência bem diferente da planejada.

Trabalho nos bastidores. O balanço final do TRE-SE informou 33 urnas substituídas, cerca de 25 mil mesários e mais de 10 mil colaboradores. O tribunal avaliou que o pleito transcorreu sem graves intercorrências. Essa estrutura merece aparecer na fotografia do domingo. Enquanto os políticos disputavam o melhor enquadramento, muita gente trabalhava para garantir que a estrela da eleição continuasse sendo o eleitor.

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