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Defesa cara, defesa fraca

O Brasil gosta de repetir que tem Forças Armadas respeitadas, profissionais e estratégicas. O problema é que o orçamento conta outra história. O país gasta milhões todos os anos com o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira, mas segue sem capacidade real de dissuasão, sem equipamento compatível com o século XXI e com uma estrutura mais eficiente para pagar pensões do que para defender o território.

No Exército, o retrato é quase surreal. O gasto com pensionistas, especialmente filhas de militares falecidos, consome cifras que fariam qualquer país em guerra corar de vergonha. São dezenas de milhões por ano destinados a um benefício vitalício que não exige serviço prestado nem risco assumido. Enquanto isso, soldados ativos recebem salários baixos, operam com material defasado e treinam menos do que deveriam. Na prática, o Brasil mantém um sistema que protege a herança, não a fronteira.

Na Aeronáutica, o enredo muda pouco, só ganha asas. Há mais brigadeiros do que caças modernos em operação. A maior parte do orçamento vira folha de pagamento, sobrando pouco para combustível, manutenção e treinamento. Aviões ficam no chão por falta de querosene, pilotos acumulam menos horas de voo do que o padrão internacional e o país comemora a chegada de poucas aeronaves como se fosse revolução tecnológica. Não é. É atraso caro.

O resultado desse modelo é uma defesa nacional cara e ineficiente. Não falta dinheiro. Falta prioridade. O Brasil paga para manter estruturas inchadas, privilégios anacrônicos e leis feitas sob medida para outra época. Em troca, recebe forças armadas com baixa capacidade operacional, dependentes de improviso e incapazes de responder a ameaças reais com rapidez e autonomia.

É por isso que o debate não é contra militares, mas contra a legislação que distorce o orçamento e cristaliza privilégios. País sério investe em gente treinada, equipamento moderno e comando racional. Não em benefícios vitalícios que drenam recursos e sabotam a própria missão institucional. Enquanto a lei não mudar, o Brasil continuará exibindo um paradoxo constrangedor: uma das defesas mais caras do mundo em relação ao que entrega. Muito uniforme, pouca eficácia. Muito gasto, pouca proteção. Defesa nacional não é folha de pagamento. É capacidade. E, hoje, estamos pagando caro para fingir que temos uma.

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