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Entre 12 novos juízes, apenas Vivian Leite é sergipana

O Tribunal de Justiça de Sergipe empossou 12 novos magistrados aprovados em um concurso que não era exatamente uma prova de múltipla escolha com cafezinho no intervalo. Foram mais de 2.500 candidatos, provas discursivas, sentenças, investigação da vida pregressa, psicotécnico, exame físico e mental, prova oral e avaliação de títulos. Ou seja: para vestir a toga, o sujeito teve que passar por uma verdadeira maratona jurídica. Quase uma Olimpíada do Direito, só que sem medalha de ouro, a medalha aqui é a responsabilidade de julgar a vida dos outros.

E é importante que o sergipano conheça esses novos juízes. Magistrado não pode ser uma figura distante, escondida atrás de pilhas de processos, carimbos e expressões em latim que parecem senha de Wi-Fi de cartório. O juiz precisa estar ligado à sociedade, entender que atrás de cada número processual existe uma pessoa, uma família, uma dor, uma dívida, uma briga, uma esperança ou, em alguns casos, aquele vizinho que acha que som alto às três da manhã é manifestação cultural.

A presidente do TJSE, desembargadora Iolanda Guimarães, resumiu bem o espírito da posse: o tribunal ganha oxigenação, ganha força de trabalho e ganha mais possibilidade de acelerar a movimentação processual. E isso é música para o ouvido do cidadão. Porque, convenhamos, processo parado é igual fila de banco em véspera de feriado: todo mundo sofre, ninguém entende direito e sempre parece que poderia andar mais rápido.

Entre os novos nomes, uma história chama atenção: Vivian Leite Santos, a única sergipana do grupo. Ela voltou ao auditório do Palácio da Justiça como juíza, depois de ter estado ali, ainda estudante, em 2010, quando ganhou um concurso de redação sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. É daquelas histórias que parecem roteiro de filme: a menina que entrou no Palácio da Justiça com uma redação na mão volta anos depois com a toga no destino. Sergipe gosta dessas voltas bonitas da vida.

Também chegaram magistrados de outros estados, como Karine Maria Minotto, de Pato Branco, no Paraná, que trouxe família e amigos para conhecer Aracaju. Já Vinícius dos Santos Silva, natural da Paraíba, veio com a emoção de quem venceu uma jornada longa e levou até o pai, de 87 anos, para assistir à posse. É o tipo de cena que lembra uma coisa simples: antes da toga, existe história; antes da caneta, existe sacrifício; antes da sentença, existe gente.

A chegada desses 12 juízes representa mais do que novos nomes no Diário da Justiça. Representa renovação, oxigenação e esperança de um Judiciário mais próximo, mais rápido e mais humano. Porque juiz bom não é apenas quem conhece a lei de trás para frente. Juiz bom é quem aplica a lei sem esquecer que do outro lado da mesa tem um cidadão esperando resposta. Sergipe ganhou novos magistrados. Agora, a sociedade espera que eles entreguem aquilo que mais falta no Brasil: justiça com técnica, sensibilidade e menos poeira em cima dos processos.

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