Hoje começa a grande festa da Copa do Mundo, e o sergipano já pode tirar a camisa amarela do armário, ajeitar a corneta, separar o cafezinho, chamar o vizinho e preparar o coração, porque quando a bola rola, até quem diz que não liga termina perguntando: “E aí, que horas é o jogo mesmo?” A Copa pode até estar longe, nos Estados Unidos, México e Canadá, com ingresso caro, trem caro, cachorro-quente caro e a Fifa sorrindo como dono de barraca em noite de forró lotado, mas aqui em Sergipe a emoção chega de graça pela tela, pelo rádio, pelo zap, pela resenha e pela cobertura que vai acompanhar cada lance, cada tropeço e cada golaço.
É verdade que essa Copa vem cheia de pompa, número grande e discurso bonito. São 48 seleções, 104 jogos e promessa de festa mundial. Mas, no fundo, o que interessa mesmo ao torcedor é simples: ver a bola correr, o Brasil entrar em campo, o coração acelerar e a esperança voltar a dançar miudinho. O brasileiro passou 24 anos sem encostar na taça, e o sergipano já está cansado de ver argentino comemorando como se tivesse comprado escritura do futebol. Está na hora de voltar ao gingado, ao drible, ao grito preso na garganta e àquela velha fé teimosa de que, quando o Brasil acorda, o mundo inteiro presta atenção.
Por isso, hoje é dia de entrar no clima. Chame a família, reúna os amigos, bote a bandeira na janela, pinte a rua, prepare a resenha e venha acompanhar a cobertura da Copa com alegria, informação e aquele humor que só Sergipe sabe fazer. Aqui, a gente comenta o jogo, analisa a escalação, critica o técnico, dá conselho para jogador milionário e ainda sobra tempo para dizer que o árbitro está precisando de óculos. Copa do Mundo sem sergipano comentando não é Copa, é reunião da ONU com bola rolando.
Então, meu povo, nada de ficar frio, parado, com cara de boleto vencido. A Copa começou, e Sergipe precisa voltar ao batuque da emoção. Pode ter guerra lá fora, ingresso custando quase um terreno, craque veterano se despedindo e favorito posando para foto, mas aqui a festa é nossa. Hoje tem cobertura, tem informação, tem análise, tem alegria e tem futebol para reacender o orgulho de vestir verde e amarelo. Porque, quando o Brasil entra em campo, o sergipano não assiste apenas ao jogo. O sergipano participa, sofre, ri, grita, reclama e, se deixar, ainda escala o time melhor que muito treinador.




