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Susana segura Lagarto, Flávio freia Aquidabã e a conta pública para de dançar

O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe mostrou que festa popular é bonita, movimenta a economia e alegra o povo, mas não pode virar forró de nota fiscal desafinada. Em sessão plenária, o TCE determinou cautelares envolvendo o Festival da Mandioca 2026, em Lagarto, e o 56º Casamento do Matuto, em Aquidabã. E dois conselheiros tiveram papel central nessa pisada firme: Susana Azevedo, no caso de Lagarto, e Flávio Conceição de Oliveira Neto, no caso de Aquidabã. Os dois entraram no salão com a sanfona da responsabilidade fiscal tocando alto.

Em Lagarto, a conselheira Susana Azevedo puxou o freio de mão nas contratações de atrações artísticas acima de R$ 400 mil. A preocupação não foi pequena: mais de R$ 8 milhões apenas com shows, restos a pagar acima de R$ 17 milhões e despesa com pessoal acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Susana fez o que se espera de um Tribunal de Contas sério: olhou para o brilho do palco, mas também olhou para o buraco do caixa. Porque não adianta botar artista caro no trio se a conta pública está dançando com o sapato furado.

Em Aquidabã, o conselheiro Flávio Conceição de Oliveira Neto também mostrou firmeza ao determinar a suspensão do Casamento do Matuto e dos contratos ligados à festividade. A decisão veio diante de indícios de problemas com o pagamento de direitos dos professores, especialmente o adicional constitucional de férias, além de fragilidades previdenciárias e falhas de transparência nas contratações. Flávio acertou na veia: antes de casar matuto no palco, é preciso casar a gestão com a responsabilidade. Professor esperando direito básico e prefeitura querendo fazer festa grande é quadrilha fora do compasso.

As duas decisões merecem registro positivo porque colocam o TCE no papel que a sociedade espera: não o de inimigo da cultura, mas o de guardião do dinheiro público. Ninguém está contra festa, tradição, turismo ou alegria. O problema é quando a sanfona toca para o povo, mas a conta sobra para o orçamento já cansado. Susana e Flávio mandaram um recado simples, direto e necessário: festa pode, cultura deve, mas farra fiscal não passa. Em Sergipe, o povo gosta de forró, gosta de mandioca e gosta de tradição. Só não gosta de ver dinheiro público arrastando a perna enquanto obrigação essencial fica sentada no banco, esperando ser chamada para dançar.

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