A Iguá conseguiu inventar o milagre reverso de São João: em vez de transformar água em vinho, transformou torneira seca em duas contas no mesmo mês. O deputado Georgeo Passos levou o caso à tribuna da Alese e cobrou explicações sobre faturas duplicadas, parcelamentos que o consumidor mal entendeu e uma conta que chega com mais pontualidade do que a própria água. Em Sergipe, pelo visto, a água falta, mas o boleto vem hidratado.
O povo já vinha reclamando de torneira vazia, conta alta e atendimento confuso. Agora recebeu o “presente junino” da concessionária: duas faturas para pagar enquanto muita gente ainda procura água no cano como quem procura milho verde depois da festa. A Iguá precisa explicar se está cobrando consumo, parcelamento, lembrança afetiva ou taxa de esperança, porque o consumidor já não sabe se paga a conta ou chama um intérprete de boleto.
E o governo do Estado não pode fingir que está assistindo de camarote. A concessão tem endereço político, tem responsabilidade pública e tem povo sofrendo na ponta. Quando a Iguá tropeça, a Deso leva respingo e o governo também sai molhado, mesmo que tente abrir guarda-chuva dentro do Palácio. Não adianta vender modernização no discurso e entregar torneira em greve na casa do cidadão.
O deputado Georgeo Passos fez o papel dele ao cobrar explicação. Agora falta a empresa falar claro e o governo parar de tratar a crise como se fosse apenas problema de encanamento. O sergipano quer água, respeito e conta compreensível. Porque, do jeito que vai, daqui a pouco a Iguá manda três boletos, a torneira continua seca e o povo vai ter que tomar banho de promessa oficial.




