PUBLICIDADE

O homem de seis por cento: Ricardo, o PL e o bolsonarismo que não colou

Ricardo Marques tentou virar o Steve Austin da política sergipana. Caiu do núcleo de Emília Corrêa, saiu da Secom, rompeu com a prefeita, conversou com Valmir de Francisquinho, passou perto dos Republicanos, bateu papo com Fábio Mitidieri e, por fim, foi parar no laboratório do PL de Rodrigo Valadares. A promessa era bonita: reconstruir o vice como o grande candidato bolsonarista de Sergipe. Só faltou combinar com o eleitor. No seriado, o homem biônico custava seis milhões de dólares. Em Sergipe, Ricardo virou o homem biônico dos seis por cento das pesquisas. E olhe lá, porque a bateria eleitoral ainda parece fraca.

A comparação é irresistível. Steve Austin caiu de uma aeronave, perdeu pedaços, foi reconstruído com perna biônica, braço biônico e olho biônico. Ricardo caiu da base de Emília, perdeu espaço, foi reconstruído com vídeo, discurso conservador, Bíblia no vocabulário, Bolsonaro na moldura e PL na embalagem. O problema é que a tecnologia não pegou. A perna biônica não correu, o braço biônico não puxou multidão e o olho biônico não enxergou que o bolsonarismo não se transfere por procuração de partido. O eleitor olhou para a nova versão e perguntou em sergipanês puro: “oxe, esse aplicativo atualizou foi quando?”

Emília Corrêa, por outro lado, parece ter ficado com a melhor peça da fábrica biônica: o ouvido. A mulher biônica de Aracaju não precisava de olho telescópico para ver o movimento. Bastava escutar o chão. E chão político, meu amigo, faz barulho. Emília ouviu antes o rangido da relação, percebeu o descompasso, reorganizou a rota e seguiu como protagonista. Enquanto Ricardo procurava laboratório para se remontar, Emília já estava andando com ouvido de longo alcance, captando cochicho de bastidor, chiado de aliado e ranger de cadeira antes mesmo da porta abrir.

O curioso é que Ricardo tentou vestir a roupa do candidato novo da direita, mas a costura ficou apertada. Quem conhece sua trajetória sabe que ele veio do Cidadania, da comunicação, da fiscalização municipal e de um campo menos identificado com a direita raiz. Agora fala em Deus, família, igreja, Bolsonaro e conservadorismo com a convicção de quem descobriu o manual na véspera da convenção. Ninguém está proibido de mudar. O problema é quando a mudança parece mais figurino de novela do que conversão política. O povo sente. Sergipano pode até fingir que acredita, mas por dentro já está dizendo: “meu filho, essa camisa ainda está com etiqueta”.

E aí entra a crueldade das pesquisas. Ricardo queria ser o candidato biônico da direita, mas vem sendo tratado nas rodas políticas como o homem dos seis por cento. Não é queda livre, mas também não é voo supersônico. É mais para caminhada em câmera lenta, com aquele som antigo de série, só que sem explosão no final. O PL deu palco, Rodrigo Valadares deu moldura, Flávio Bolsonaro deu possibilidade nacional, mas a rua ainda não entregou multidão. O bolsonarismo, pelo visto, não entrou no pacote de reconstrução. Faltou instalar o módulo mais importante: povo.

No fim, a história virou uma ficção científica com sotaque de Aracaju. Emília, a mulher biônica do ouvido político, escutou a movimentação, sobreviveu ao rompimento e manteve o protagonismo. Ricardo, o homem biônico dos seis por cento, ainda tenta provar que foi reconstruído para disputar o Governo e não apenas para gravar vídeo com trilha de campanha. Steve Austin foi remontado para correr mais rápido, saltar mais alto e enxergar mais longe. Ricardo foi remontado pelo PL para decolar. Mas, até agora, parece que esqueceram de carregar a bateria. E em eleição, meu amigo, sem bateria popular, nem o melhor laboratório salva o candidato do modo economia de voto.

Uma resposta

  1. Deixa a campanha pegar tração, deixa Flávio vir em Aracaju e colocar Ricardo no palco e pedir o voto para ele, nesse momento vc verá o Ricardo biônico.

    Emilia depois que ganhou para prefeitura saiu do PL, Franchiquinho na eleição de 2022 depois de ter sido eleito com o voto dos bolsonaristas e ter sido impugnado resolveu trair os bolsonaristas e apoiar Rogério Carvalho 🤦🤦🤦🤦🤦

    Essa eleição só voto em 22

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *