O ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A decisão não representa condenação antecipada: é uma cautelar para impedir interferências enquanto a Corregedoria da própria PF realiza investigações penais e disciplinares.
Mendonça afirmou que pelo menos seis documentos produzidos entre 3 e 31 de agosto revelariam monitoramento e coleta dirigida sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Classificou o material como apócrifo, tecnicamente imprestável e de baixa confiabilidade, mas observou que um dos textos autorizava monitoramento mesmo baseado numa frágil “cadeia inferencial”. Traduzindo: a inteligência resolveu investigar até pensamento, fé religiosa e intenção escondida, como se conjectura já viesse com distintivo.
A Segunda Turma formou maioria para manter os afastamentos: acompanharam Mendonça os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Gilmar Mendes pediu vista, Dias Toffoli ainda não votou e o julgamento foi suspenso, mas a medida continua valendo imediatamente. Além dos afastamentos, ficou suspensa a produção de relatórios de inteligência destinados a avaliar atos de ministros, integrantes da advocacia pública e policiais.
Andrei também esteve, em abril de 2024, numa degustação em Londres com Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet, Hugo Motta, Benedito Gonçalves e outras autoridades. Documentos apontam custo total de aproximadamente R$ 3,2 milhões para a experiência, gastronomia e entretenimento oferecidos a cerca de 40 convidados, e não uma conta individual de Andrei. A presença não prova crime, mas reforça questionamentos éticos que precisam ser apurados: a Polícia Federal é instituição de Estado, não adega de banqueiro, gabinete de governo nem instrumento particular de autoridade alguma.




