Na Alese, quinta-feira não teve clima de calmaria: o plenário virou palco de novela política com roteiro variado, ônibus que não chegam, água que falta, obras que nunca saem e concurso da PM que exclui PcD como se fosse detalhe. Teve quem fizesse denúncia com vídeo, quem virasse garoto-propaganda do asfalto, quem puxasse discurso social e até quem tentasse salvar a Iguá com panos quentes. No meio do fogo cruzado, sobrou prato feito de críticas, elogios e ironia. Foi sessão com gosto de auditório de TV: cada deputado querendo aplauso, manchete e, claro, palanque.

Consórcio em risco – Paulo Júnior (PV) – Virou advogado do transporte público. Denunciou que Aracaju anda “tocando o bonde sozinho”, anulando licitação sem debate e contratando emergencialmente as mesmas empresas que criticou. Chamou de incoerência e avisou: se o consórcio metropolitano quebrar, quem paga a conta são 300 mil usuários. Traduzindo: ou prefeitos botam dinheiro no jogo, ou o povo vai continuar esperando ônibus que não vem.
Escolta de carro-pipa – Marcos Oliveira (PL) – Com vídeo na mão e ironia na voz, denunciou que em Socorro a Guarda Municipal virou “comboio de água mineral”. Disse que Sergipe tem barragens cheias, mas torneira seca. Sobrou para a Iguá, que herdou a Deso e virou comércio de carro-pipa. E ainda cutucou: “É humilhante o povo pagar esgoto sem tratamento”. No pacote, cobrou tela na ponte do Vaza-Barris e asfaltamento prometido desde 2010.
Defensor do governo – Adailton Martins (PSD) – Saiu em defesa da Iguá e do DER. Disse que problemas existem, mas já estão “sendo sanados” com nova licitação. Jogou a culpa no passado e disse que a oposição agora tem saudade da Deso. No meio do tiroteio, tentou passar panos quentes: “piorou, mas vai melhorar”.
Obra na veia – Kaká Santos (União) – Virou garoto-propaganda do asfalto. Agradeceu ao governador e comemorou o início da obra da Avenida São José em Poço Verde. Em Itabaianinha, anunciou paliativo e prometeu rodoanel de concreto armado. Se depender dele, cada discurso vem com cheiro de cimento fresco.

Inclusão já – Linda Brasil (PSOL) – Denunciou o vexame do concurso da PMSE: 12 dos 15 PcDs aprovados foram eliminados na junta médica, mesmo tendo laudos aceitos antes. Citou caso de candidato que comprou enxoval e foi cortado na véspera. Chamou de discriminação e exigiu explicações da SSP. Aproveitou o embalo e defendeu lei estadual para enfrentar desaparecimento de pessoas em Sergipe. A oposição mostrou indignação, o governo respondeu: “quem discordar, que vá à Justiça”.
Sergipe Sem Fome – Áurea Ribeiro (Republicanos) – Discurso cheio de otimismo: celebrou projetos sociais aprovados e convidou para lançamento do programa Sergipe Sem Fome. Disse que “alimentar é vida” e puxou elogios à agricultura familiar. Entre denúncias e brigas, virou a voz doce da sessão, mas com prato cheio de cobrança social.

Internet blindada – Jeferson Andrade (PSD) – Na cadeira de presidente, fez propaganda de lei aprovada no Senado por Alessandro Vieira para proteger crianças e adolescentes na internet. Disse que a norma é vitória contra abusos digitais. No meio do caos do plenário, foi o “ponto institucional” do dia: menos gritos, mais regulação.
Resumo da sessão: teve ônibus em risco, água escoltada, blindagem digital, promessa de asfalto, PcD discriminado na PM, prato feito contra a fome e até disputa sobre quem tem mais saudade da Deso. A Alese segue firme: mistura de denúncia, propaganda e palco de ironia.




