Se você acha que sessão da Câmara Municipal é sinônimo de bocejo, prepare-se: no grande e pequeno expediente desta quarta-feira (27/08), Aracaju virou palco de discursos que misturam denúncia, homenagem, bronca e até roteiro de novela de superação. Teve vereador virando cinegrafista para filmar ônibus clandestinos, outro bancando comentarista esportivo da Série C, homenagem a democratas históricos e até parabéns coletivo de aniversário no plenário.
No cardápio do dia: trânsito mortal, fogos de artifício proibidos, ônibus jurássicos rodando, plano para transformar a capital na “cidade do neurodivergente”, denúncia de violência contra médicos e até Confiança na final da Copa do Nordeste. Uma salada mista de política, indignação e pitadas de humor involuntário.
E agora, senhoras e senhores, vamos às notas: quem brilhou, quem reclamou, quem filmou e quem quase fez stand-up em plena quarta-feira legislativa.

Vereador Binho (Podemos) – Foi ao Hospital Nestor Piva e voltou de lá tão emocionado que quase pediu música no Fantástico. Disse que viu empatia até no álcool em gel. Aproveitou o embalo e pediu à Iguá que vá consertar os vazamentos do Jardim Centenário porque se depender só da boa vontade, o bairro já estaria virando Veneza.

Vereador Breno Garibalde (Rede) – Virou o “homem sem fogos”: comemorou que seu projeto contra rojões barulhentos foi sancionado. Pediu fiscalização séria, porque lei sem fiscalização é igual a dieta sem balança. Também aproveitou para cutucar grandes empresas que constroem sem pensar no meio ambiente. Na visão dele, condomínio sem infraestrutura é tipo churrasco sem carne: todo mundo reclama, mas alguém sempre tenta empurrar.

Vereador Camilo Daniel (PT) – Fez homenagem a João Goulart e Leonel Brizola, lembrando que a democracia não é “buffet self-service” que a gente escolhe só o que gosta. De quebra, deu aquela alfinetada básica: lembrou que, enquanto a Câmara fazia homenagem a democratas, teve gente acampada em frente a quartéis pedindo ditadura. Um contraste digno de novela da Globo: “Câmara Democrática x Acampamento Jurassic Park”.

Vereador Elber Batalha (PSB) – Voltou à tribuna com a pauta que já virou sua marca registrada: a rua Armindo Guaraná. Segundo ele, o trânsito lá virou teste de resistência olímpica. A cada semana, um acidente. A cada acidente, uma promessa de estudo. Se depender do ritmo da SMTT, o próximo redutor de velocidade será instalado junto com a cápsula do tempo de 2050.

Vereador Fábio Meireles (PDT) – Virou cinegrafista da própria revolta: mostrou vídeos de ônibus velhos circulando livremente, mesmo proibidos por decreto. Para ele, ou a prefeita não sabe de nada, ou a fiscalização está mais cega que cupim em bolacha. Aproveitou e cutucou: disse que Emília Corrêa copiou o programa do governador Mitidieri — mas como toda cópia, saiu com nome diferente: “Tamo Junto Aracaju”. Plágio municipal é o novo normal.

Vereadora Thannata da Equoterapia (Mobiliza) – Quer transformar Aracaju na “cidade do neurodivergente”. Levou proposta à prefeita, trouxe especialistas, secretárias e até coordenadora da educação especial. Se depender dela, a capital vai parar de apenas discursar sobre inclusão e começar a praticar. E disse em alto e bom som: inclusão não é hashtag bonita, é política pública que funciona.

Vereador Anderson de Tuca (União Brasil) – Preferiu celebrar a APAE, lembrando que a instituição é praticamente patrimônio imaterial de Aracaju. Disse que, sem emendas parlamentares, o trabalho já teria fechado as portas. O recado é claro: se depender só do poder público, a APAE virava caso de memória afetiva.

Vereador Bigode do Santa Maria (União Brasil) – Chamou atenção para a pobreza extrema no seu bairro. Pediu que a secretária de Assistência Social vá lá ver famílias vivendo com R$600 por mês. Tradução: enquanto tem vereador discutindo fogos de artifício, o povo do Santa Maria está escolhendo se compra comida ou roupa.

Vereador Iran Barbosa (PSOL) – Foi a voz mais grave do dia: denunciou o aumento de violência contra médicos. Citou números assustadores: uma agressão a cada duas horas no Brasil. E lembrou: a culpa não é do jaleco, é da falta de estrutura. Traduzindo: o paciente desconta no médico a raiva que deveria direcionar para o gestor.

Vereador Lúcio Flávio (PL) – Levou para dentro da Câmara o jovem João Maicon, órfão e recém-saído de um abrigo, para viver “um dia de vereador”. A sessão foi batizada com o nome dele, teve parabéns coletivo e discurso motivacional. Foi o momento “Sessão da Tarde” da Câmara: menos política, mais novela de superação.

Vereador Miltinho Dantas (PDT) – Virou comentarista esportivo. Disse que o futebol sergipano vive fase histórica, com Confiança na final da Copa do Nordeste. Também celebrou jogos que arrecadaram toneladas de alimentos. Moral da história: em Sergipe, o futebol não só emociona como ainda ajuda a matar a fome. E se depender de Miltinho, a Câmara vai virar extensão da arquibancada.




