O desenvolvimento sustentável enfeita discursos oficiais, mas nem sempre orienta decisões. Em Sergipe, o governo Fábio Mitidieri celebra obras e investimentos enquanto permanece a pergunta essencial: quem protege os recursos naturais que sustentam o próprio crescimento? A discussão sobre o licenciamento ambiental exige uma escolha clara: eficiência não pode ser desculpa para afrouxar controles. O Ministério Público Federal já recomendou cautela na aplicação da nova legislação ambiental no Estado. Progresso não se mede apenas por concreto e inaugurações, mas pelos danos que uma administração consegue evitar.
Na Grande Aracaju, o avanço imobiliário pressiona dunas, lagoas, restingas e manguezais. Na Zona de Expansão, o Ministério Público Federal recomendou, em maio de 2026, a suspensão de licenças e obras de edifícios com mais de quatro pavimentos, apontando preocupações com drenagem, adensamento e esgotamento sanitário. Também foram identificados problemas de erosão e assoreamento no Rio Sergipe e questionados estudos ambientais da nova ponte para Barra dos Coqueiros. São alertas concretos, não obstáculos ao progresso. Falta demonstrar como esses impactos estão sendo avaliados em conjunto.
No interior, o quadro é alarmante: dados divulgados a partir do MapBiomas e de estudos estaduais indicam aproximadamente 20% de cobertura vegetal nativa remanescente e municípios expostos à desertificação. A Caatinga protege solo, água, biodiversidade e famílias; não é terra sem valor à espera de exploração. A Mata Atlântica e os manguezais também exigem atenção. Indústria, agropecuária e energia podem gerar empregos, mas precisam respeitar limites ambientais. Sergipe necessita de metas públicas de recuperação, fiscalização efetiva e investimentos mensuráveis, não apenas promessas bem embaladas.
O governador, a Adema e as prefeituras precisam fazer da preservação uma política permanente, não uma fotografia comemorativa. Plantar mudas não substitui saneamento, controle de licenças e transparência sobre condicionantes ambientais. A população merece saber o que está sendo autorizado, fiscalizado e recuperado. Sergipe precisa crescer, mas não à custa de seus rios, florestas e comunidades. Quem comemora o progresso sem enfrentar a degradação pode ganhar manchetes agora e deixar a próxima geração com a conta.




