A campanha para deputado federal em Sergipe começou como manda o velho manual da política tropical: carro adesivado, café de reunião que já nasceu frio, abraço em feira, fotografia com liderança municipal e a inevitável frase de que “a caminhada está apenas começando”. Apenas começando é modo de dizer, porque tem candidato que, pelas redes sociais, aparentemente já visitou Sergipe inteiro duas vezes e ainda conseguiu chegar em casa para jantar. Yandra Moura apostou numa maratona municipal, Gustinho Ribeiro reforçou a imagem do parlamentar que escuta a comunidade e leva demandas para Brasília, Fábio Reis retornou ao território eleitoral onde conhece o caminho sem precisar perguntar ao GPS e Delegada Katarina dividiu a largada entre agenda institucional e campanha. Nessa fase, ninguém pode parecer parado. Na política, até candidato sentado precisa publicar uma fotografia explicando que está “em intensa articulação”.
Thiago de Joaldo demonstra inteligência política ao perceber que mandato não pode ser apenas uma sucessão de números, emendas e fotografias protocolares, buscando ocupar espaço no debate público com posicionamento, presença e identidade própria, atributos indispensáveis para quem pretende crescer eleitoralmente. Ícaro de Valmir, por sua vez, parte de uma estrutura política relevante, mas vem mostrando disposição para transformá-la em capital pessoal, aproveitando sua forte ligação com Itabaiana e com um dos grupos políticos mais organizados do Estado sem se limitar ao peso do sobrenome. Os dois, cada qual por um caminho diferente, parecem compreender uma regra básica da política proporcional: estrutura ajuda, padrinho ajuda, dinheiro para município ajuda, mas o eleitor também precisa enxergar uma pessoa por trás da placa. E nisso tanto Thiago quanto Ícaro começam a fazer a lição de casa com competência.
Yandra Moura, Gustinho Ribeiro e Fábio Reis seguem apostando no território, cada qual com seu sotaque eleitoral. Yandra aparece percorrendo municípios e participando de encontros políticos, religiosos e comunitários. Gustinho insiste na narrativa do parlamentar municipalista, que conversa com as comunidades e associa o mandato aos recursos destinados aos municípios. Fábio Reis trabalha sobre uma vantagem clássica da política sergipana, a familiaridade com seu território eleitoral, especialmente Lagarto. Não há grande mistério nisso. Deputado federal pode trabalhar em Brasília, mas o voto continua morando em Sergipe, normalmente numa rua onde alguém conhece sua mãe, seu primo, seu adversário e provavelmente sabe até quem deixou de cumprimentar quem na última eleição. Brasília produz discursos; a urna ainda gosta de presença.
João Daniel mantém a comunicação vinculada aos movimentos sociais, agricultura familiar, organizações populares e ao campo político do presidente Lula, preservando uma identidade construída ao longo dos anos. O desafio eleitoral está em fazer essa mensagem circular também para além do público que já conhece seu repertório. Delegada Katarina percorre caminho diferente, sustentada pela trajetória ligada à segurança pública e pela atuação parlamentar, enquanto busca ampliar a presença eleitoral em outras agendas. São estilos distintos, mas enfrentam a mesma pergunta que aparece para qualquer candidato à reeleição: como transformar mandato em conversa com o eleitor? Porque currículo parlamentar é importante, claro, mas ninguém jamais voltou de uma feira dizendo emocionado: “Rapaz, que relatório de atividades legislativas maravilhoso”. Política ainda exige olho no olho, aperto de mão e disposição para ouvir histórias que geralmente começam com “já que encontrei a senhora aqui…”.
A fotografia inicial, portanto, mostra sete candidaturas à reeleição tentando ocupar espaço num campeonato em que não existe renovação automática de matrícula. Thiago busca visibilidade pelo posicionamento político, Ícaro trabalha a associação territorial e familiar, Yandra aposta na circulação pelos municípios, Gustinho explora o municipalismo, Fábio Reis utiliza experiência e base regional, João Daniel preserva sua identidade política e Katarina combina a imagem profissional com a atuação parlamentar. Daqui para frente haverá estrada, rádio, feira, povoado, igreja, reunião, adesivo, vídeo vertical e candidato descobrindo subitamente uma paixão quase poética pelo interior sergipano. Faz parte do espetáculo. A cadeira em Brasília pode até ter ar condicionado e encosto confortável, mas para chegar nela é necessário enfrentar muito sol, muito asfalto e aquele eleitor que sorri para todos, tira fotografia com três candidatos diferentes e só revela em quem votou depois que a urna já fechou. Esse, sim, é o verdadeiro profissional da política brasileira.




