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Alessandro Vieira: sério no discurso, confuso nos gestos e ameaçado nas urnas

Alessandro Vieira chega à disputa de reeleição carregando um paradoxo que o eleitor sergipano precisa observar com lupa, café forte e um pouco de desconfiança de feira. É um parlamentar sério, técnico, preparado e com atuação nacional em temas como segurança pública, transparência, combate ao crime organizado e fiscalização do poder. Isso ninguém deve negar por birra. O problema é que política não vive apenas de currículo. Vive também de gesto, presença, afeto, coerência e leitura de povo. E aí começam as interrogações. Alessandro muitas vezes passa a imagem de um político individualista, frio, fechado, mais confortável no relatório do que no abraço, mais à vontade no microfone do Senado do que no calor humano da rua. Em Sergipe, onde até briga política começa com “meu amigo”, frieza demais vira defeito eleitoral.

O maior problema de Alessandro talvez seja a rota política em ziguezague. Em 2018, surfou a onda da renovação, do antipetismo e do ambiente bolsonarista. Depois se afastou desse campo, foi para uma postura mais independente, aproximou se do grupo de Fábio Mitidieri e, ao mesmo tempo, passou a conviver com gestos que confundem parte do eleitor conservador. O voto favorável a Jorge Messias para o STF, indicado por Lula, foi um desses movimentos que acenderam a luz amarela em muita gente. Para seus defensores, foi postura técnica. Para seus críticos, foi mais uma curva na pista. O eleitor olha e pergunta: Alessandro está onde mesmo? Na direita, no centro, com Fábio, contra André, perto de Lula, distante do bolsonarismo ou apenas consigo mesmo?

Nas pesquisas, o sinal também não é de passeio no parque. É verdade que Alessandro aparece competitivo em alguns levantamentos e já liderou cenários para o Senado, como na pesquisa Veritá, em que surgiu com 24,7%, à frente de André Moura e Rogério Carvalho. Também apareceu bem em levantamentos citados por veículos locais, como W1, Positiva e Instituto França. Mas há outro lado da fotografia. No Real Time Big Data de maio de 2026, Alessandro apareceu com apenas 8%, atrás de vários nomes, como André David, Eduardo Amorim, André Moura, Rodrigo Valadares, Edvaldo Nogueira e Rogério Carvalho. Ou seja: não dá para vender reeleição como fatura paga. A cadeira existe, o mandato existe, o nome existe, mas a fila está cheia e ninguém vai dar passagem porque ele tem crachá de senador.

A candidatura de Alessandro exige uma pergunta honesta ao eleitor sergipano: ele entregou o suficiente para merecer mais oito anos? A resposta não pode vir do fígado nem do fã clube. Tem que vir da análise. Ele tem produção, tem discurso e tem presença nacional. Mas também tem desgaste, isolamento, dificuldade de empatia popular e um histórico recente de gestos políticos que deixaram muita gente confusa. Em Sergipe, político que não mistura firmeza com calor humano corre o risco de virar tese acadêmica com pouco voto. Alessandro pode até ser sério, mas ser sério não basta. Reeleição não é prêmio por bom comportamento parlamentar. É renovação de confiança. E confiança, no pequeno e desconfiado universo sergipano, não se ganha apenas com relatório. Ganha se olhando no olho, cumprimentando gente, explicando escolhas e deixando claro de que lado se está antes que o eleitor conclua sozinho.

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